Informação objetiva

Obrigado por nos visitar e volte sempre!!!
Mostrando postagens com marcador resenhas. oriente médio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador resenhas. oriente médio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Livro "O Irã sob o chador" desvenda os mitos da cultura oriental

No dia 30 de agosto ocorre, no CineSesc (Rua Augusta, 2075), em São Paulo (SP), o lançamento do livro “O Irã sob o chador” . O evento terá início às 19h30 e contará com sessão de autógrafos das autoras, Adriana Carranca e Marcia Camargos. Haverá ainda a exibição de um curta iraniano seguido de bate-papo com amba

No livro, Adriana e Marcia revelam o caldeirão de contradições de uma nação enigmática, onde a cordialidade do povo resiste como valor num cotidiano de escassas liberdades individuais.

Nos últimos anos, poucos países têm sido objeto de tanto interesse e ao mesmo tempo de tanta incompreensão. O Irã se recusa a encaixar-se nos seus estereótipos. Sua estrutura política não é vertical: o poder é compartilhado entre diversas correntes numa complexa rede de instituições. Seu estrito código de conduta é, em grande medida, apenas aparente, e sua violação, nos espaços privados, mais tolerada do que reprimida. O Irã não é um país árabe, e sim persa, fundado sobre uma das grandes civilizações da Antiguidade, que assimilou e ao mesmo tempo moldou a corrente xiita do islamismo – a partir do casamento de Hussein, neto de Maomé, com uma princesa da Pérsia.

Sobre o livro
Chador é um tipo de manto iraniano, usado para cobrir o corpo feminino da cabeça aos pés. Só o rosto fica à mostra. Parecido com o hábito das freiras católicas, o traje é obrigatório em mesquitas e outros lugares sagrados, e conta com a preferência das iranianas islâmicas do segmento mais conservador da sociedade. Assim como as formas de suas mulheres, o Irã apresenta-se ao olhar ocidental de maneira enigmática, oculto sob o espesso chador do nosso preconceito e desinformação acerca do Oriente Médio em geral e de cada país da região, em específico.

Em viagens realizadas em momentos e circunstâncias diferentes, as jornalistas Adriana Carranca e Marcia Camargos tiveram a oportunidade de conhecer um país que não cabe na simplificação dos estereótipos. Muito longe de encontrar fanáticos religiosos hostis e minas terrestres a cada esquina, as autoras se depararam com cidades extremamente seguras para turistas, nas quais imperam a honestidade, a cordialidade e a gentileza nas relações. Em contrapartida, paira no ar a crescente insatisfação com o regime teocrático há três décadas no poder.

Concebido e escrito em parceria, “O Irã Sob o Chador” (Editora Globo) é o resultado da descoberta comum de uma realidade singular, num dos raros lugares do mundo ainda resistentes aos efeitos da globalização. Um cenário de conflitos permanentes entre arcaico e moderno, religioso e secular, opressivo e libertário – e que tem tais contradições capturadas no Caderno de Fotos, que ilustra o livro.

No mesmo país onde mulheres e homens têm de se sentar em partes diferentes do ônibus, por exemplo, circulam táxis nos quais ambos os sexos compartilham o aperto do banco. Alguns desses veículos são, inclusive, dirigidos por mulheres: há até uma cooperativa de taxistas femininas, que tem como clientela tanto as iranianas conservadoras (que não aceitam viajar com homens) como as liberais (que, em companhia feminina, se sentem à vontade para usar roupas um pouco mais ousadas).

Outro contraste verificado pelas autoras: o Twitter e o Facebook estão proibidos no país, o que não impede a existência de 1,4 milhão de usuários e 800 mil contas ativas dessas redes sociais, respectivamente – mesmo com a internet de banda larga restrita a hotéis e centros de convenção. Na China, onde há restrições semelhantes à comunicação virtual mas a população é vinte vezes maior do que a iraniana, o Twitter tem 409 mil perfis e o Facebook, ínfimas 14 mil contas ativas.

Desnudando as camadas do chador que envolve o Irã, Adriana e Marcia revelam uma sociedade pulsante que, à revelia do poder constituído, impulsiona o país. Um lugar que produz uma das mais instigantes cinematografias do mundo, mas que não hesita em usar a censura prévia (ou mesmo a prisão) para intimidar seus cineastas. Uma sociedade de machismo opressivo, no seio da qual emergiu a ativista Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz em 2003. Um caldeirão fervilhante, no qual nacionalismo, juventude e desejo de mudança se mesclam ao deslumbramento com o mundo que está do lado de fora do chador, e que ficou mais próximo com a internet.

Sobre as autoras
Jornalista e mestre em políticas sociais, Adriana Carranca mantém um blog na edição online de O Estado de S.Paulo, dedicado a questões de desenvolvimento global e direitos humanos.

Ganhadora dos prêmios Jabuti e da Academia Paulista de Letras, Marcia Camargos, jornalista com doutorado em história pela USP, é biógrafa de Monteiro Lobato e sócia da Usina de Conteúdo, produtora cultural.

Trechos do livro

O aspecto das ruas das cidades
A sensação de volta ao passado permanece. Os carros são velhos, o layout geral é antiquado e o gosto, duvidoso para nossos padrões ocidentais de consumo continuamente exacerbado pela criatividade dos publicitários. O Irã é mesmo outra civilização. Pelas paredes externas dos edifícios, outdoors que dariam arrepios a uma agência de fundo de quintal anunciam bancos, filmes e empreendimentos imobiliários. Efígies dos soldados que tombaram na guerra Irã-Iraque, que durou dez anos, a partir de 1982, homenageiam os mártires imolados no conflito. Grafites contra o imperialismo norte-americano e europeu, palavras de ordem conclamando os cidadãos a lutar contra a nefasta águia de garras afiadas, símbolo dos Estados Unidos e da suposta decadência “ocidental”, somam-se a outros clichês deliciosamente saudosos, que também remetem à Cuba de Fidel Castro.

As fotos dos aiatolás Khomeini e Khamenei marcam presença em toda loja, cinema, hotel, sala de museu ou teatro. Os suportes variam, mas suas figuras presidem sobre a população que escuta um trecho do hino nacional e algumas suras do Alcorão em forma de cânticos, obrigatoriamente, antes de qualquer cerimônia oficial. E os discursos começam sempre com os dizeres: “Be name Khoda”, em nome de Deus...

Comida
O pão é do tipo sírio, mais leve e maior, feito nas padarias espalhadas pelos bairros, e nas quais se pode ver o processo da feitura destes nune sangak. De avental branco e mãos ligeiramente trêmulas devido ao calor constante que enfrentam todos os dias, pressionam a massa antes colocá-la direto sobre pequenas pedras incandescentes no forno de tijolos. Com isso, provocam minúsculas bolhas, tornando ainda mais crocantes os pães, retirados após alguns minutos com uma pá de madeira.

Conformada com a abstinência compulsória, resta encarar com bom humor as alternativas disponíveis. Há refrigerantes e sucos de romã, além da principal bebida nativa, o dugh, refresco gasoso de leite fermentado por iogurte natural, servido com folhas secas de hortelã triturado, que não agrada ao paladar tupiniquim. É encontrado em qualquer esquina, junto com outros produtos de primeira necessidade. Mas quem pretende conhecer um hipermercado para ter noção do estilo de vida dos habitantes, vai descobrir que eles não existem no Irã. Ainda estamos nos tempos das vendinhas de esquina, simpáticas e acolhedoras no seu acanhado modo de ser, com prateleiras forradas de tecido, pequena oferta de produtos e apenas um ou dois atendentes para receber o dinheiro e empacotar as compras em sacolas de papel tipo craft. Em compensação, há os irresistíveis bazares, outra verdadeira instituição nacional.

Hejab
Lá fora me aguardava uma das monitoras do festival, com calça jeans apertada por debaixo da veste escura. Os olhos negros de sobrancelhas bem delineadas brilham por detrás do lenço que esconde parte dos cabelos, o pescoço e o colo. Logo eu descobriria que elas fazem de tudo para parecerem modernas e atualizadas dentro das rígidas normas islâmicas. Não é à toa que uma gritante porcentagem de plástica no nariz ocorra neste trecho do globo terrestre. Sem o recurso de ombros, barriga, pernas ou braços à mostra, precisam conquistar o sexo oposto pela expressão do rosto. Como são bonitas! E os homens não ficam para trás.
A casa é geminada de ambos os lados e logo à entrada tiramos os sapatos. Sua esposa, de tez clara e cabelos louros, me recebe com um sorriso. Domina o inglês com perfeição e manda que eu retire o hejab. Faço isso com gosto, livrando-me também da calça por debaixo do vestido. Quase esquecera como é agradável ficar com a roupa comum, sem os apetrechos que tolhem os movimentos e nos deixam o tempo todo, para o bem e para o mal, conscientes da nossa “condição” de mulheres.

Outro desafio para os ditos “ocidentais”, sobretudo as mulheres, é encarar o banheiro turco, com um simples buraco no chão. Tente usá-lo meio agachada, segurando a barra da calça, a veste que vai por cima, a câmera fotográfica e o véu que cisma em cair para frente, arrastando-se pelo chão respingado... E note que, em lugar de papel higiênico, há uma ducha para a higiene pessoal. Não me perguntem com o que elas se enxugam. De minha parte, aprendi a manter lenços de papel na bolsa. Ninguém terá problema em refazer o estoque, o produto é uma verdadeira mania nacional. No quarto de hotel, onde existe o vaso sanitário convencional, no console dos carros e na mesa dos restaurantes, eles são onipresentes e fazem as vezes do guardanapo, mercadoria inexistente no país.

A simpatia acompanha a beleza física. No meu contato inicial com aquela terra longínqua, eu aprenderia as regras básicas da hospitalidade iraniana. Todos se desdobram para atendê-lo, fazendo com que você se sinta especial o tempo todo sem precisar ser amigo do rei.


Serviços

O Irã sob o chador
Autor: Adriana Carranca e Marcia Camargos
Gênero: reportagem
Editora: Globo
Formato: 13,7 x 20,8 cm
Número de páginas: 240
Preço: a definir
Site: www.globolivros.com.br

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mundo repudia ataque de Israel a frota humanitária


O Instituto da Cultura Árabe rejeita, lamenta e indigna-se frente o ataque das Forças Armadas israelenses a um comboio humanitário organizado pela ONG Free Gaza, nesta segunda-feira, 30 de maio. O grupo era formado por seis navios liderados por uma embarcação turca que transportava mais de 750 pessoas e 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a faixa de Gaza. Ao menos dez pessoas morreram e cerca de 30 ficaram feridas.

A ação foi realizada em águas internacionais e sem qualquer motivo que a justificasse. A cineasta brasileira Iara Lee estaria entre os tripulantes do comboio, e ainda não se tem notícias de seu estado após o ataque. O governo brasileiro divulgou uma nota convocando o embaixador de Israel ao Itamaraty para que seja manifestada a indignação em relação ao ataque e a preocupação com a situação da cidadã brasileira. Na nota, o Brasil defende ainda que o bloqueio imposto à faixa de Gaza seja levantado "imediatamente", com o objetivo de garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo aos territórios da região.

Países de todo o mundo também manifestaram sua revolta para com fato. O governo do Paquistão condenou o uso de "força descarada" por parte de Israel contra uma "missão humanitária" que se dispunha a fornecer ajuda humanitária aos palestinos de Gaza.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Turquia reagiu duramente ao ataque e, em comunicado, afirma que o governo israelense terá que enfrentar as consequências por seu comportamento.

O governo turco diz que o Exército israelense usou a força contra um grupo de ajuda humanitária, que inclui "idosos, mulheres e crianças" que viajam nos navios, o que considerou "inaceitável".

O Ministério de Assuntos Exteriores da Grécia iniciou um mecanismo de gestão de emergência com um telefone à disposição dos familiares dos gregos que estão na "Frota da Liberdade", pois três dos navios que a compõem procedem deste país.

Yanis Maistros, porta-voz em Atenas da seção grega da iniciativa, declarou que "os navios foram sequestrados"; e que "receberam disparos a partir de lanchas e helicópteros israelenses quando estavam navegando em águas internacionais, próximas ao litoral israelense".

Assim como os gregos, a comunidade europeia também reagiu ao incidente. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, pediu hoje às autoridades israelenses uma "investigação completa" sobre o ataque à "Frota da Liberdade".

O Líbano pediu a convocação do Conselho de Segurança da ONU. O Irã qualificou o ataque como desumano. O Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha classificou o ataque como um fato inaceitável. O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner disse que nada justifica o uso de tal violência.

O ataque também mereceu enérgica condenação da Organização da Conferência Islâmica.
A “Frota da Liberdade” foi a segunda tentativa de romper o bloqueio à Faixa de Gaza, imposto por Israelo desde 2007. Entre o final de 2008 e o início de 2009, Israel realizou um massacre àquele território palestino, que deixou cerca de 1500 mortos.

O ataque revela o terrorismo de Estado de Israel e demonstra que o país não pretende permitir a libertação do povo nem a criação do Estado palestino.

ANP

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos devido ao ataque. Em comunicado emitido na Cisjordânia, por meio da agência oficial palestina "Wafa", Abbas não anunciou, no entanto, uma interrupção do diálogo indireto de paz que mantém com Israel.

"O que Israel cometeu contra os ativistas da 'Frota da Liberdade' é um massacre", disse Abbas. Seu porta-voz, Nabil Abu Rudeina, qualificou a ação de "crime contra a humanidade, já que foram atacados ativistas que não estavam armados e tentando romper o bloqueio sobre Gaza fornecendo ajuda".

O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, leu diante das câmaras um comunicado no qual assegura que "nada pode justificar" o "crime" cometido hoje por Israel. "Esse crime reflete mais uma vez a falta de respeito de Israel pelas vidas de civis inocentes e pelo direito internacional", acrescentou.

Um dos principais assessores de Abbas, o chefe negociador palestino Saeb Erekat, qualificou o ocorrido de "crime de guerra" que "confirma que Israel age como um Estado acima da lei". Ele pediu uma resposta "rápida e apropriada" da comunidade internacional.

"Eram embarcações civis, que levavam civis e bens civis - remédios, cadeiras de rodas, comida, materiais de construção - para os 1,5 milhão de palestinos fechados por Israel. Muitos pagaram com suas vidas. O que Israel faz em Gaza é horrível, nenhum ser humano esclarecido e decente pode dizer algo diferente", apontou Erekat.

O chefe do governo em Gaza do movimento islâmico Hamas, Ismail Haniyeh, qualificou o ataque como "brutal" e convocou um Dia da Ira, ou seja, que os palestinos tomem as ruas em protesto pelas mortes.

Ele pediu à "comunidade internacional, principalmente as Nações Unidas, que ajam o mais rápido possível para proteger os navios e os ativistas e pôr fim ao bloqueio" que Israel mantém sobre Gaza há anos com a cooperação do Egito.

Além disso, pediu a Abbas que suspenda "imediatamente" o diálogo entre israelenses e palestinos com mediação dos Estados Unidos. Representantes da comunidade palestina com cidadania israelense convocaram para amanhã uma manifestação geral.

Fonte: Icarabe

terça-feira, 1 de junho de 2010

Porque vou a Gaza


Carta da Flotilha da Liberdade

A brasileira Iara Lee, cineasta e ativista social, era uma das integrantes da "Flotilha da Liberdade", um grupo de seis navios que transportava mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza e que foi atacado por Israel na madrugada de segunda-feira (31/5).

Abaixo, um texto escrito por Iara pouco antes da viagem.

Porquê vou a Gaza
Em alguns dias eu serei a única brasileira a embarcar num navio que integra a GAZA FREEDOM FLOTILLA. A recente decisão do governo israelense de impedir a entrada do acadêmico internacionalmente reconhecido Noam Chomsky nos Territórios Ocupados da Palestina sugere que também seremos barrados. Não obstante, partiremos com a intenção de entregar comida, água, suprimentos médicos e materiais de construção às comunidades de Gaza.

Normalmente eu consideraria uma missão de boa vontade como esta completamente inócua. Mas agora estamos diante de uma crise que afeta os cidadãos palestinos criada pela política internacional. É resultado da atitude de Israel de cercar Gaza em pleno desafio à lei internacional. Embora o presidente Lula tenha tomado algumas medidas para promover a paz no Oriente Médio, mais ação civil é necessária para sensibilizar as pessoas sobre o grave abuso de direitos humanos em Gaza.
O cerco à Faixa de Gaza pelo governo israelense tem origem em 2005, e vem sendo rigorosamente mantido desde a ofensiva militar israelense de 2008-09, que deixou mais de 1.400 mortos e 14.000 lares destruídos. Israel argumenta que suas ações militares intensificadas ocorreram em resposta ao disparo de foguetes ordenado pelo governo Hamas, cuja legitimidade não reconhece. Porém, segundo organizações internacionais de direitos humanos como Human Rights Watch, a reação militar israelense tem sido extremamente desproporcional.

O cerco não visa militantes palestinos, mas infringe as normas internacionais ao condenar todos pelas ações de alguns. Uma reportagem publicada por Amnesty International, Oxfam, Save the Children, e CARE relatou, “A crise humanitária [em Gaza] é resultado direto da contínua punição de homens, mulheres e crianças inocentes e é ilegal sob a lei internacional.”

Como resultado do cerco, civis em Gaza, inclusive crianças e outros inocentes que se encontram no meio do conflito, não têm água limpa para beber, já que as autoridades não podem consertar usinas de tratamento destruídas pelos israelenses. Ataques aéreos que danaram infraestruturas civis básicas, junto com a redução da importação, deixaram a população em Gaza sem comida e remédio que precisam para uma sobrevivência saudável.

Nós que enfrentamos esta viagem estamos, é claro, preocupados com nossa segurança também. Anteriormente, alguns barcos que tentaram levar abastecimentos a Gaza foram violentamente assediados pelas forças israelenses. Dia 30 de dezembro de 2008 o navio ‘Dignity’ carregava cirurgiões voluntários e três toneladas de suprimentos médicos quando foi atacado sem aviso prévio por um navio israelense que o atacou três vezes a aproximadamente 90 milhas da costa de Gaza. Passageiros e tripulantes ficaram aterrorizados, enquanto seu navio enchia fazia água e tropas israelenses ameaçavam com novos disparos.

Todavia eu me envolvo porque creio que ações resolutamente não violentas, que chamam atenção ao bloqueio, são indispensáveis esclarecer o público sobre o que está de fato ocorrendo. Simplesmente não há justificativa para impedir que cargas de ajuda humanitária alcancem um povo em crise.

Com a partida dos nossos navios, o senador Eduardo Matarazzo Suplicy mandou uma carta de apoio aos palestinos para o governo de Israel. “Eu me considero um amigo de Israel e simpatizante do povo judeu” escreveu, acrescentando: “mas por este meio, e também no Senado, expresso minha simpatia a este movimento completamente pacífico…Os oito navios do Free Gaza Movement (Movimento Gaza Livre) levarão comida, roupas, materiais de construção e a solidariedade de povos de várias nações, para que os palestinos possam reconstruir suas casas e criar um futuro novo, justo e unido.”

Seguindo este exemplo, funcionários públicos e outros civis devem exigir que sejam abertos canais humanitários a Gaza, que as pessoas recebam comida e suprimentos médicos, e que Israel faça um maior esforço para proteger inocentes. Enquanto eu esteja motivada a ponto de me integrar à viagem humanitária, reconheço que muitos não têm condições de fazer o mesmo. Felizmente, é possível colaborar sem ter que embarcar em um navio. Nós todos simplesmente temos que aumentar nossas vozes em protesto contra esta vergonhosa violação dos direitos humanos.

Fonte: Icarabe

domingo, 30 de maio de 2010

Sessão de filmes árabes debate questão de gênero


No dia 12 de junho, o Instituto da Cultura Árabe (ICArabe), por meio do seu Núcleo de Estudos sobre a Mulher Árabe, realiza em parceria com o Cinemulher (cineclube filiado ao Centro Cineclubista de São Paulo – Cecisp) a exibição de dois filmes de seu acervo: “Passo a passo”, de Mehdi Naderi, e “Caramel”, de Nadine Labaki.

O objetivo da atividade, que ocorre no Centro Cineclubista de São Paulo (Rua Augusta, 1.239, conjuntos 13 e 14, São Paulo/SP) é trazer à luz a questão de gênero na contemporaneidade na região do Oriente Médio. Após as sessões, ocorrerá um debate com Muna Zeyn - presidente do Comitê Nacional Multipartidário das Mulheres, apresentadora dos programas Palavra de Mulher da Rádio USP e da Alltv Mulher e integrante do Conselho da Condição Feminina do Estado de São Paulo -, Soraya Smaili, diretora Cultural e Científica do ICArabe, Maristela Bizarro e Rita Quadros, ambas coordenadoras do Cinemulher.

Criado em setembro de 2009, o Cinemulher se propõe a exibir, refletir e discutir Cinema a partir da perspectiva de gênero. São objetos de exibições filmes que abordem o tema e/ou sejam produzidos por mulheres. “Ao longo de nossas atividades, percebemos que existe uma série de estereótipos e um enorme desconhecimento em relação a mulher árabe. Por isso decidimos fazer essa parceria”, conta Maristela.

Segundo Rita Quadros, a escolha dos filmes se deu de forma conjunta. "Fizemos alguma reuniões com o ICArabe e escolhemos essas duas produções", diz. Ela afirma que as sessões do Cinemulher costumam reunir cerca de 25 pessoas, entretanto, para esta atividade esperam a participação de cerca de 40. "Como é um assunto específico, tende a atrair mais o público", ressalta. Ela lembra ainda que as exibições são abertas para homens e mulheres e que apesar de a presença feminina se dar em maior número, a masculina também é muito bem vinda. "É preciso dialogar", conclui.

Para Muna Zeyn a exibição dos filmes é uma forma de prolongar a reflexão proposta pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. “É preciso refletir o universo feminino. Os filmes mostram que as mulheres árabes têm os mesmos valores, desejos e vivem os mesmos conflitos de todas as mulheres da contemporâneidade”, explica ela. Ela ressalta a situação das personagens das duas produções, mulheres independentes, provedoras do lar, que ocupam algum espaço público. “ A mulher no oriente ou no ocidente, é mulher. É preciso romper com o preconceito em relação ao desconhecido”, avalia Muna.

As exibições do Cinemulher acontecem todo segundo sábado do mês às 18 horas na sede do Cecisp - Rua Augusta, 1239 - cj. 13/14. São Paulo/SP. Para saber mais visite www.cinemulher.blogspot.com

Fonte: Icarabe

domingo, 23 de maio de 2010

“Primos”: livro traz histórias da herança árabe e judaica


Com organização de Adriana Armony e Tatiana Salem Levy, publicação reúne contos de autores brasileiros sobre suas ascendências

No dia 25 de maio o livro Primos, organizado pelas escritoras Adriana Armony e Tatiana Salem Levy, será lançado em São Paulo. A obra é uma coletânea que traz contos de escritores brasileiros descendentes de árabes e judeus. São 20 textos em que esses primos de origem dão seus depoimentos sobre sua ascendência. Autores consagrados ou iniciantes, Moacyr Scliar, Alberto Mussa, Cíntia Moscovich, Flávio Izhaki, Carlos Nejar, Fabrício Carpinejar, Julián Fuks e Salim Miguel são apenas alguns deles. Os contos abordam história, memória, alegoria, tradição e ruptura, provando que as duas culturas têm mais afinidades que diferenças.

Adriana Armony e Tatiana Salem Levy já exploraram bem suas raízes judaicas nos romances Judite no país do futuro, de Adriana, e A chave de casa, de Tatiana, este vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2008 na categoria autor estreante. Agora, “a ideia de juntar num livro escritores brasileiros descendentes de árabes e de judeus surgiu quase como uma necessidade”, explicam as escritoras Tatiana Salem Levy e Adriana Armony. Primos de origem, árabes e judeus têm mais afinidades do que diferenças, embora a situação política no Oriente Médio termine por dar ao mundo a impressão de que o ódio entre esses dois povos está na base de suas culturas. Por que brigam tanto, nos perguntamos, se são tão parecidos? E por que exaltar suas desavenças, se os pontos de encontro são tão mais profundos, tão mais antigos?

Árabes e judeus atravessaram os tempos com o livro no centro de suas tradições. E desse amor deriva o apego à narrativa, ao contar e criar histórias, e o desejo das famílias de ambas as culturas de não deixar as origens se desvanecerem. E é por isso que as autoras buscam fazê-los coexistir num livro, assim como já coexistiram fisicamente em diversas regiões, em épocas variadas, e ressaltam a peculiaridade desse pedaço de terra chamado Brasil, onde essas duas comunidades convivem de forma harmoniosa com a diversidade, seja cultural, étnica ou religiosa.

A própria definição de quem são os árabes e quem são os judeus é em si complexa e, por isso mesmo, escorregadia, flexível, abrangente. Trata-se de uma definição étnica? Territorial? Religiosa? Cultural? Para Adriana e Tatiana, árabe ou judeu será aquele que assim se reconhece. Foi este o critério que norteou a escolha dos autores de Primos: Adriana Armony; Alberto Mussa; Alexandre Plosk; Arnaldo Bloch; Bernardo Ajzenberg; Carlos Nejar; Cíntia Moscovich; Eliane Ganem; Fabrício Carpinejar; Flávio Izhaki; Georges Bourdoukan; Julián Fuks; Leandro Sarmatz; Luiz Antonio Aguiar; Márcia Bechara; Moacyr Scliar; Salim Miguel; Samir Yazbek; Tatiana Salem Levy; Whisner Fraga. Desde consagrados até iniciantes, passando pelos novos, mas já bastante conhecidos, os autores desses textos dão seus depoimentos sobre suas origens, agrupados em quatro temas: História, Memória, Alegoria e Tradição e Ruptura

Serviço:
Dia 25 de maio – terça-feira, às 19h.
Livraria da Vila –
Alameda Lorena, 1731 – Jardim Paulista
Tel.: (11) 3062 1063

PRIMOS
Adriana Armony e Tatiana Salem Levy
Grupo Editorial Record/Editora Record
320 páginas
Preço: R$ 44,90
Formato: 14 x 21 cm
ISBN:978-85-010-8896-3
Ficção nacional / Contos / Árabes e judeus

terça-feira, 20 de abril de 2010

Orquestra Folclórica de Abu Ghid (Egito) se apresenta amanhã em SP


Pela primeira vez no Brasil apresenta-se a ORQUESTRA FOLCLÓRICA DE ABU GHID (Egito). Composta por Hossam Shaker (Qanun), Atef Metkal Kenawy (Percussão), Mohamed El Sayed (Giro Sufi), Douglas Felis (Percussão) e Refat Farhat (Flauta). Será uma festa de músicas populares do Nilo, ritmos dos ciganos de Luxor, flautas tradicionais místicas e cantigas do Egito antigo. Também poderão ser apreciadas as mágicas danças Sufi de giro e as danças de transe, praticadas no Egito desde antes da idade média, com os trajes tradicionais.

Esta orquestra foi avaliada pela UNESCO como um importante resgate das artes egípcias (Hossam Shaker foi nomeado secretário regional no Egito por ser um dos maiores representantes da música oriental, no Cairo). A ORQUESTRA FOLCLÓRICA DE ABU GHID é, também, um braço do famoso grupo OS MÚSICOS DO NILO, pois conta com o grande mestre da percussão, Atef Metkal Kenawy, filho do fundador do mesmo.

As percussões sufi e os ritmos fatímidas, a cargo de Douglas Felis, poderão ser apreciados pelos amantes do ritmo, executadas com pandeiros coloridos típicos das festividades do Cairo islâmico, contará com Refat Farhat no Brasil apresentando para o público a Kawala (flauta egípcia). Sem dúvida, o mais importante instrumento da música folclórica mística.

Além do Show, Mohamed El Sayed fará um Workshop no sábado, 24 de Abril, a partir das 10h da manhã na Universidade Anhembi Morumbi Campus Centro. Todas as atividades e práticas serão acompanhadas pela ORQUESTRA DE ABU GHID, ao vivo.

Serviço:
Teatro Anhembi Morumbi
Rua Doutor Almeida Lima 1134, Brás, São Paulo /SP
site: http://www.teatroanhembimorumbi.com.br/

domingo, 18 de abril de 2010

Líbano – 25 de março, feriado islamo-cristão à Virgem Maria


Por Roberto Khatlab*

O Líbano, em uma ocasião única, decretou 25 de março como um dia de feriado nacional, dia consagrado à Anunciação da Virgem Maria. Lembrando que a Virgem Maria, venerada pelos cristãos, é também admirada pelos muçulmanos.

O Alcorão, livro sagrado do Islã, recita: “Ó Maria, é certo que Deus te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade” (Surata Aal `Imran 3, 42). No Islã, Maria é considerada a “Mãe” dos fiéis muçulmanos. Nesta perspectiva podemos ver um ponto de diálogo entre o cristianismo e o islamismo, abertura de espírito, fora de qualquer polêmica. Notamos também que o Alcorão não cita nenhum nome de mulher, salvo o de Maria, mãe de Jesus (30 vezes). O Alcorão tem até mesmo uma surata (capítulo) intitulado “Surata Maryam” (19), que contém o relato da anunciação, gravidez e nascimento de seu filho Jesus.

Diante deste ponto em comum, foi criada, na data 25 de março, que é o Dia da Anunciação para os cristãos, uma festa nacional islamo-cristã, abrindo uma grande porta para o diálogo inter-religioso. No Líbano este episódio tem um significado especial, visto ser um país onde vivem diversas comunidades religiosas.

Para que a data fosse criada, foram necessários muitos anos de conversações, sendo que os principais representantes desse diálogo são o Cheikh Mohammad Nokkari, o juiz “Charia” (lei islâmica) de Beirute, o antigo secretário geral da Dar al-Fatwa (Tribunal Muçulmano Sunita) e Nagy el-Khoury, secretário geral da Associação dos Antigos Amigos de Jamhour (Colégio Nossa Senhora de Jamhour, padres Jesuítas no Líbano), co-secretário geral do encontro islamo-cristão no circulo da Virgem Maria.

A primeira cerimônia islamo-cristão de 25 de março foi realizada neste ano, na igreja do Colégio Nossa Senhora de Jamhour. O evento reuniu cantos, salmos e várias autoridades religiosas e civis, muçulmanas e cristãs, tendo como convidado estrangeiro Lech Walesa, ex-presidente da Polônia e Nobel da Paz.

De acordo com palavras do Cheikh Nokkari, proferidas na ocasião, “este encontro não tem como objetivo criar uma nova festa religiosa aos muçulmanos. Não se trata, também, de acrescentar uma nova festa ao calendário litúrgico cristão. Não existe em nosso encontro nenhuma prática religiosa comum. Por esta razão que nós desejamos, desde o início, que ele se tornasse uma festa nacional e não religiosa. Este encontro criou um novo fenômeno mundial cultural, de interesse tanto do Islã quanto do cristianismo”.

Após a cerimônia, todas as pessoas foram até a praça do Museu Nacional de Beirute, local que durante a guerra civil (1975-1989) era campo de batalha entre Beirute Leste (dito cristão) e Oeste (dito muçulmano). Ali foi inaugurada uma placa comemorativa do evento e uma menina muçulmana da família Adra de Tripoli, chamada Maryam (Maria), foi quem descobriu a placa para ficar como marco da comemoração.

O Líbano é um país de coexistência há séculos e permanece com esta vocação. Uma terra de hospitalidade, um país que faz parte da “Terra Santa” para as três religiões monoteístas que nasceram naquela mesma região. O 25 de março passou também a ser, a partir de 2008, uma data significativa no Brasil, quando se comemora o Dia Nacional da Comunidade Árabe no Brasil, em função da grande colônia de imigrantes árabes e filhos de imigrantes, muçulmanos e cristãos, que vivem lado a lado neste território, terra de coexistência e hospitalidade.

Roberto Khatlab*
é pesquisador no Centro de Estudos da Emigração Libanesa da Universidade Notre Dame, no Líbano.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Grupo pelos direitos humanos condena ameaça de Israel


Um grupo israelense pelos direitos humanos pediu hoje à comunidade internacional que pressione o governo de Israel. O motivo é uma ordem da administração israelense pela qual milhares de palestinos podem ser despejados da Cisjordânia.

"A Quarta Convenção de Genebra impõe uma proibição completa à remoção forçada de civis de suas casas, uma proibição cujo descumprimento é considerado uma grave violação da convenção", afirmou o Centro Hamoked para a Defesa do Indivíduo. "Nós pedimos a todos os Estados signatários da convenção para tomar ação imediata a fim de que ela (ordem militar israelense) seja revogada", diz o grupo em comunicado.

A emenda a uma ordem anterior de Israel amplia a definição de "infiltrados" que poderiam ser expulsos da Cisjordânia. Segundo a alteração, qualquer pessoa "que não tenha uma permissão" pode ser expulsa. O texto não especifica que tipo de documento seria necessário para evitar o despejo.

Sete grupos israelenses pelos direitos humanos já afirmaram anteriormente que o texto era tão vago que "teoricamente, permitia aos militares esvaziar a Cisjordânia de quase todos seus moradores palestinos".

Os palestinos querem a Cisjordânia e a Faixa de Gaza como partes de seu futuro Estado independente. Além disso, exigem Jerusalém Oriental como a capital desse futuro Estado. No entanto, as negociações com os israelenses estão em um impasse. As informações são da Dow Jones.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Exposição:"O deserto não é silente" está no Museu Afro Brasil até dia 18


Após ser exibida em 10 grandes cidades do mundo, a mostra "O Deserto Não é Silente”, com peças arqueológicas e telas contemporâneas da Líbia, chega a São Paulo. Trazida pela fundação Gaddafi International Foundation for Charitable Associations e coordenada pelo arquiteto e artista plástico Saif El Islam El Gaddafi, filho do líder do país árabe Muammar El Gaddafi, a exposição será aberta no dia 9 de março no Museu Afro Brasil, em São Paulo.

A mostra vai reunir 28 peças arqueológicas greco-romanas e 51 telas de pintores contemporâneos, que estão sob a curadoria do diretor do museu brasileiro, Emanoel Araújo. Todas as peças fazem parte do patrimônio arqueológico do país árabe, que inclui esculturas, mosaicos e objetos da vida cotidiana da Líbia. As telas, que são na maioria pintada a óleo, trazem temas figurativos e abstratos que relatam o deserto, um lugar de passagem, uma memória, uma fonte de vida.
Um dos três pintores, autor da maioria das telas, com 39 no total, é o próprio Saif El Islam El Gaddafi, os outros dois são Fawzi Swei e Salaheddine Shagroun. A exposição itinerante, que ficará em São Paulo até dia 18 de abril, já foi exibida em Paris, Berlim, Londres, Roma, Milão, Genebra, Viena, Madri, Tóquio e Montreal.

Segundo a organização da mostra, o público terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a riqueza e o passado histórico da Líbia e da sua arte contemporânea. Localizado no Norte da África, o país árabe está entre os maiores em extensão territorial do continente africano. Com uma população de 6,4 milhões de habitantes, a Líbia possui a oitava maior reserva de petróleo do mundo.

Entre as peças que o público vai poder conferir estão pontas de flechas de povos primitivos, datadas entre 6000 e 2000 a.C, estatueta de mármore da figura nua de Dionósio, lâmpada islâmica de Trípoli, relógio de sol de Leptis Magma, do século 1 d.C

Para a abertura da exposição, um grupo de artistas líbios vem ao Brasil para apresentar a música popular do país. A fundação Gaddafi International Foundation for Charitable Associations, organizadora do evento, tem sede em Trípoli, capital, e tem como objetivo lutar pelos direitos humanos, pobreza e pelos prisioneiros de guerra.

No Brasil, a mostra tem conta com patrocínio da empresa Odebrecht e co-patrocínio da Petrobras.

Serviço:
"O Deserto Não é Silente"
Data: 09 de março a 18 de abril
Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 17h
Local: Museu Afro Brasil
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Parque Ibirapuera

domingo, 11 de abril de 2010

Refutando a ideia de opressão e desrespeito às mulheres muçulmanas


Por Hesdras Sérvulo Souto de Siqueira Campos Farias*

A condição da mulher é hoje muito discutida em congressos e fóruns mundiais que têm a mulher como eixo central dos debates. O ocidente costuma dirigir muitas críticas ao Islã por tratar, na sua visão, a mulher com desrespeito e humilhação. Quem faz tais afirmativas desconhece por completo o islamismo. Poucas pessoas sabem, por exemplo, que o primeiro muçulmano, foi uma mulher, Khadija, esposa do Profeta Muhammad (chamado de Maomé nas línguas latinas). Ela foi a primeira pessoa a quem o Profeta falou da Revelação e foi quem o apoiou nos momentos mais difíceis, incentivando-o nas pregações ao povo. Portanto, Khadija foi a primeira pessoa a aceitar o Islã. (ABD’ALLAH. 1989).

O Alcorão, livro Sagrado do Islã, assegura uma série de direitos às mulheres, direitos que outrora inexistiam, em qualquer que fosse a sociedade ou religião. Inclusive, alguns direitos, apenas ela possui, refutando a ideia de que a mulher é desprovida de direitos que assegurem sua dignidade no islamismo. O livro ainda reserva uma Surata, mais precisamente a quarta, inteira só para a mulher, a chamada Suratu An-Nissá (A sura das mulheres). Para facilitar uma melhor compreensão, o texto será separado em três âmbitos: social, econômico e espiritual.

A mulher no contexto social:

A vida
O primeiro e fundamental direito de qualquer ser humano é o direito à vida, e o Alcorão assegura esse direito:

“...Quem mata uma pessoa, sem que esta haja matado outra ou semeado corrupção na terra, será como se matasse todos os homens. E quem lhe dá a vida será como se desse a vida a todos os homens...” (Surata 5:32)

A proteção e a reputação
Era costume de alguns homens, quando não queriam mais suas mulheres, caluniarem e difamarem sua honra, causando severas punições a elas. O Alcorão tem uma lei que proteje a mulher desses incidentes:

“E aos que acusam de adultério as castas mulheres, em seguida, não fazem vir quatro testemunhas, acoitai-os com oitenta açoites, e, jamais, lhes aceiteis testemunho algum; e esses são os perversos.” Surata (24:4)

O trabalho
Dentre os vários argumentos que os detratores do Islã usam está o de dizer que a mulher muçulmana não pode trabalhar. O Islã diz que o homem é quem tem obrigação de cuidar e prover uma família, mas isso não impede que a mulher trabalhe, desde que seu trabalho não a impeça de cuidar da família e da educação dos filhos. Isso porque ela é a fonte de alegria, de carinho e dos bons valores. O trabalho dignifica o ser humano, independendo do sexo, e o Islã é uma religião que incentiva o trabalho e a instrução. Na história do Islã houve grandes mulheres que trabalharam, como Khadija, primeira esposa do Profeta, era uma grande comerciante na Arábia. Zaynad, outra esposa do Profeta, era uma grande artesã, além da senhora Rafida al Asslamia, que dedicou a vida a cuidar dos doentes e feridos na Mesquita do Profeta. Contam que na época do califa Omar Ibn al Khattab, a fiscalizadora geral do mercado era Axiffá, uma sábia mulher. Portanto, dizer que a mulher no Islã é proibida de trabalhar é um embuste. (WAHDANI, s/d).

A educação
No mundo islâmico, a educação também é assegurada a todos, homens e mulheres, além de ser gratuita, como a saúde. Ambas são de boa qualidade. Esse hadice (2) deixa isso claro: “Buscar o conhecimento é um dever de todo muçulmano e muçulmana (3)”. Contam queAisha era especialista em leis que tratavam de herança e sobre o que era lícito e Ilícito. Ela foi muito mencionada por diversos juristas por ter convivido bastante com o Profeta Muhammad. Chegaram até a dizer que ela era a mais eloquente dos árabes. (WAHDANI, s/d). A educação sempre foi prioridade no mundo islâmico. O Profeta costumava dizer: “Buscai o conhecimento até na china” e ainda “Procurem a sabedoria do berço até túmulo.”

O direito de falar e ser ouvida:

Durante séculos a mulher foi proibida de opinar sobre qualquer assunto, sua opinião era jamais consultada e sua voz jamais ouvida. E isso aconteceu até alguns poucos anos atrás. O Islã deu liberdade de expressão às mulheres, sobre qualquer assunto que desejassem opinar. O próprio Profeta consultava sua esposa Khadija sobre tudo e sempre seguia seus conselhos e ficava alegre ao ouvi-los.

O direito de escolher seu marido:
Apesar disto ter sido incomum em muitas culturas, inclusive na Arábia pré-islâmica, o Islã proibiu categoricamente que a mulher fosse forçada a casar-se sem o seu consentimento. Ninguém poderia forçá-la, fosse o pai, o irmão ou o tutor. Percebemos o zelo que o Profeta Muhammad tinha com as mulheres quando disse (4):

"Quanto mais cívico e amistoso for um Muçulmano para com a sua esposa mais perfeita é a sua fé."(Hadice compilado por Tirmidhi).

"Os crentes mais perfeitos são os melhores em conduta, e os melhores de entre vós são aqueles que são melhores para as suas esposas."(Ibn Hanbal).

"É o generoso (em caráter) aquele que é bom para as mulheres, e é fraco aquele que as insulta".

Para o Profeta, a mulher não é "um instrumento do demônio",mas, sim, uma "Muhsanah",ou seja, uma fortaleza contra satanás.

*Hesdras Sérvulo Souto de Siqueira Campos Farias é graduando em ciências sociais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco / Departamento de Letras e Ciências Humanas / Cátedra Ibn Arabi.

**Esta é uma síntese do artigo para lê-lo na integra acesse o site do Icarabe

terça-feira, 6 de abril de 2010

Personagem muçulmana de malhação gera polêmica


Atualmente no ar em "Malhação ID" como Samira, uma garota muçulmana recém-chegada do Irã, a atriz Thaís Botelho de 17 anos, vem causando polêmicas. Primeiro foi o beijo e o romance com um jovem que não é muçulmano e agora a personagem decidiu se ocidentalizar com a ajuda de uma amiga, enfrentando a família e deixando os costumes de lado.

A rede globo toca num ponto delicado, primeiro a cultura oriental-muçulmana, segundo a alteridade da personagem. É triste pensar que dentro de uma novela adolescente Samira, por ser diferente sofre preconceito por usar o hijab, se vestir e comportar de forma diferente e mais triste ainda é pensar que ela vai abandonar seus valores e costumes para ficar com um colega de escola.

terça-feira, 23 de março de 2010

Desenho animado sobre o conflito Israel X Palestina gera polêmica ao redor do mundo


Ahmed e Salim são os personagens principais do desenho, dois jovens palestinos, filhos de um terrorista, que não conseguem seguir o caminho do pai pis se interessam por coisas de garotos: televisão, internet, jogos de computador, videogame. Segundo os criadores, Tom Trager (artista gráfico) e Or Paz (editor de video), trata-se de uma série de situações cômicas sobre terroristas.

O motivo de tanta confusão, principalmente nos países árabes, é a maneira como os produtores tratam do assunto. Os árabes são taxados de terroristas e Ahmed e Salim são uma espécie de projeto que não dá certo, são burros, atrapalhados e sempre estragam os planos de vingança de seu pai. Mas para quem acredita que os criadores se importam, eles deixam um recado: "ao contrário do que vocês podem pensar, não temos nada contra árabes, simplesmente não gostamos de gente em geral. E em caso de perguntas, ameaças de morte ou comentários, entrem em contato conosco".

É possível assistir os episódios da dupla no youtube ou no site oficial deles, alguns já tem legendas em português.





domingo, 21 de março de 2010

Promessas de um mundo novo


Retrata a história de sete crianças israelenses e palestinas em Jerusalém que, apesar de morarem no mesmo lugar vivem em mundos completamente distintos, separados por diferenças religiosas. Com idades entre 8 e 13 anos, raramente elas falam por si mesmas e estão isoladas pelo medo. Neste filme, suas histórias oferecem uma nova e emocionante perspectiva sobre o conflito no Oriente Médio.

titulo original: (Promises)
lançamento: 2001 (Israel) (EUA) (Palestina)
direção: Justine Arlin , Carlos Bolado , B.Z. Goldberg
duração: 116 min
gênero: Documentário

Ato terrorista: emoção e preconceito


Hassan (Ayad Akhtar) é um paquistanês que estuda Engenharia em Paris. Ele é preso pelo serviço ocidental de inteligência, que suspeita de práticas terroristas. Preso e torturado, Hassan é forçado a agir. Depois de solto, ele embarca em uma missão terrorista nos EUA, para se unir a uma célula com base em Nova York.

Gênero: Drama
Tempo: 90 min.
Direção: Joseph Castelo

Elenco:
Ayad Akhtar
Firdous Bamji
Nandana Sen
Sarita Choudhury
Charles Daniel Sandoval
Varun Sriram
Anjeli Chapman
John Ventimiglia
Mike McGlone
Aasif Mandvi
Ajay Naidu
Kamal Marayati

O Caçador de Pipas



O romance best seller agora é o mais aplaudido filme do ano. Quando garotos, Amir e Hassan eram amigos inseparáveis até que um infeliz evento os separa. Anos depois, Amir vai abalar uma perigosa missão para corrigir os erros do passado - e se redimir de maneira que jamais imaginou - demonstrando o máximo em coragem e devoção a seu amigo. Dirigido por Marc Foster (Em Busca da Terra do Nunca, Monter's Ball), "O Caçador de Pipas nos permite acreditar que pode existir justiça no mundo" - Richard Corliss, TIME

Informações Técnicas
Título no Brasil: O Caçador de Pipas
Título Original: The Kite Runner
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 128 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Estúdio/Distrib.: Paramount Pictures Brasil
Direção: Marc Forster

Elenco
Khalid Abdalla ... Amir
Atossa Leoni ... Soraya
Shaun Toub ... Rahim Kahn
Sayed Jafar Masihullah Gharibzada ... Omar
Zekeria Ebrahimi ... Young Amir
Ahmad Khan Mahmidzada ... Young Hassan
Mir Mahmood Shah Hashimi ... Business Man in Baba's Study
Homayoun Ershadi ... Baba
Nabi Tanha ... Ali
Elham Ehsas ... Young Assef
Bahram Ehsas ... Wali
Tamim Nawabi ... Kamal
Mohamad Nabi Attai ... Uncle Saifo the Kite Seller
Mohamad Nadir Sarwari ... Spice Merchant
Mustafa Haidari ... Party Worker

Uma Viagem Muito Louca: preconceito disfarçado?


Harold e Kumar, a dupla de chapados mais bizarra de Hollywood, voltou no pique total! Eles continuam preguiçosos, fugindo do trabalho e passando seus dias só "viajando". Mas a viagem dos caras foi longe demais, porque eles agora querem chegar na cidade de Amsterdã, na Holanda, o paraíso dos chapadões de todo o planeta! O problema é que a confusão já começa dentro do avião, quando as autoridades suspeitam que eles possam ser perigosos terroristas internacionais. Harold e Kumar são presos e mandados para Guantanamo. Já dá para imaginar as confusões que eles vão aprontar neste novo filme......

Informações Técnicas
Título no Brasil: Uma Viagem Muito Louca
Título Original: Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay
País de Origem: EUA
Gênero: Comédia
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 102 minutos
Estúdio/Distrib.: Playarte Home Video
Direção: Jon Hurwitz / Hayden Schlossberg

ATENÇÃO
Harold é descendente de coreanos e Kumar de indianos o que os torna diferentes da maioria dos norte-americanos esteticamente e culturalmente, apesar de terem crescido lá. O interessante do filme, embora ele aposte no besteirol típico das comédias dos EUA, é tratar do preconceito mesmo que de forma divertida. Vale a pena assistir e perceber as entrelinhas do filme.

Caramelo: universo feminino em foco


O filme acompanha a trajetória de cinco mulheres libanesas em Beirute. Layal (Nadine Labaki) trabalha em um salão de beleza com outras três mulheres. Cada uma delas tem seus problemas: Layal tem um caso com um homem casado; Nisrine (Yasmine Al Masri) anda insegura com a aproximação do seu casamento; Rima (Joanna Moukarzel) é lésbica; e Jamal (Gisèle Aouad) está preocupada com sua idade. Próximo ao salão, está a costureira Rose (Sihame Haddad), uma senhora que dedicou sua vida para cuidar de sua irmã mais velha e agora vê a possibilidade de amar novamente.

Elenco:
Nadine Labaki
Yasmine Al Masri
Joanna Moukarzel
Gisèle Aouad
Adel Karam
Sihame Haddad
Aziza Semaan

Direção: Nadine Labaki
Produção: Anne-Dominique Toussaint
Fotografia: Yves Sehnaoui
Trilha Sonora: Khaled Mouzannar
Gênero: Comédia Dramática
Tempo: 95 min.

Ás cinco da tarde: mulheres e poder no Afeganistão


O filme investiga a situação das mulheres no Afeganistão ao narrar a trajetória de Noqreh (Agheleh Rezaie), uma jovem que sonha ser candidata à Presidência da República. Assim que as escolas voltam a aceitar o sexo feminino, Noqreh retoma os estudos. Quase todas as alunas, porém, ainda usam a burca. Aos poucos, durante as aulas, instaura-se o debate em torno da condição feminina e da possibilidade das mulheres conquistarem os mesmos direitos dos homens. Com a ajuda de um poeta, Noqreh entra em conflito com o pai.

Informações Técnicas
Título no Brasil: Às Cinco da Tarde
Título Original: Panj é asr
País de Origem: Irã / França
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 101 minutos
Ano de Lançamento: 2003
Estréia no Brasil: 16/06/2006
Estúdio/Distrib.: Europa Filmes
Direção: Samira Makhmalbaf

Elenco:
Agheleh Rezaie .... Noqreh
Abdolgani Yousefrazi .... Father
Razi Mohebi .... Poet
Marzieh Amiri .... Leylomah

Guerra S.A : faturando alto


Guerra S.A. Faturando Alto, se passa no fictício país do Turaquistão devastado pela guerra. Dividido por um motim contra a corporação privada Tamerlane, que apesar de ser propriedade do ex-Vice Presidente dos Estados Unidos (Dan Aykroyd), tomou conta do país buscando apenas lucro. Hauser (John Cusack), um "capataz" totalmente desequilibrado, é contratado pela empresa para matar o presidente da concorrente e para fazer isso, ele tem se passar por um produtor de eventos e organizar o casamento da maluca superstar Yonica Babyyeah (Hilary Duff). Tudo muda quando o assassino Hauser se apaixona pela sexy repórter Natalie (Marisa Tomei), que quer desmascarar os "negócios" dos ex-presidente. Quando o assunto é guerra os negócios estão bombando...

Informações Técnicas:

Título no Brasil: Guerra S.A. Faturando Alto
Título Original: War, Inc.
País de Origem: EUA
Gênero: Comédia / Ação
Tempo de Duração: 106 minutos
Ano de Lançamento: 2008
Estúdio/Distrib.: Imagem Filmes
Direção: Joshua Seftel

Babel: vidas que se interligam através de um acidente


Um ônibus repleto de turistas atravessa uma região montanhosa do Marrocos. Entre os viajantes estão Richard (Brad Pitt) e Susan (Cate Blanchett), um casal de americanos. Ali perto os meninos Ahmed (Said Tarchani) e Youssef (Boubker At El Caid) manejam um rifle que seu pai lhes deu para proteger a pequena criação de cabras da família. Um tiro atinge o ônibus, ferindo Susan.

A partir daí o filme mostra como este fato afeta a vida de pessoas em vários pontos diferentes do mundo: nos Estados Unidos, onde Richard e Susan deixaram seus filhos aos cuidados da babá mexicana; no Japão, onde um homem (Kôji Yakusho) tenta superar a morte trágica de sua mulher e ajudar a filha surda (Rinko Kinkuchi) a aceitar a perda; no México, para onde a babá (Adriana Barraza) acaba levando as crianças; e ali mesmo, no Marrocos, onde a polícia passa a procurar suspeitos de um ato terrorista.


Informações técnicas:


titulo original: (Babel)
lançamento: 2006 (EUA)
direção: Alejandro González-Iñárritu
atores: Brad Pitt , Gael García Bernal , Jamie McBride , Kôji Yakusho , Lynsey Beauchamp
duração: 142 min
gênero: Drama