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quarta-feira, 17 de março de 2010

O LAROUSSE DISSE


Por: Jade El Jabel*
O Larousse disse que são:

Humilde: Que está no chão, que não se levanta do chão, pouco elevado. 1 – Que tem ou aparenta humildade. 2 – Simples, modesto, pobre. 3 – Respeitoso, submisso. 4 – Medíocre, reles, obscuro.

Modesto: 1 – Que pensa a seu respeito ou fala de si mesmo sem orgulho, despretensioso, humilde. 2 – Moderado, desambicioso. 3 – Simples, pobre.

Orgulhoso: 1 – Que se orgulha, que apresenta um ar altivo, arrogante. 2 – Ufano, feliz, vaidoso.

Prepotente: 1 – Muito poderoso ou influente. 2 – Opressor, despótico. 3 – Que abusa do poder, tirânico.

Destas palavrinhas, as duas primeiras são comumente usadas para elogiar pessoas e as duas últimas, no sentido contrário. Contrário e oposto, como se estas palavras representassem antônimos umas das outras e não o são.

No sentido oposto do Humilde “que está no chão, pouco elevado”, não está o Prepotente “muito poderoso ou influente”, está o Altivo, que não se conforma ou se acomoda, o que tem força de vontade, iniciativa. Da mesma maneira que, na direção oposta do Prepotente “opressor, despótico” está o Justo, que tem bom senso e respeito pelas pessoas e não o Humilde “respeitoso e submisso”.

E, transitando por uma outra via que esbarra nestas características pessoais está o sucesso e a falta dele. Como já disseram, o dicionário é o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho. O sucesso vem do trabalho bem feito. E não é estar na moda, na mídia, não somente isso e a qualquer custo. É o reconhecimento da qualidade, por si próprio, pelo público e pelos colegas artistas, que traz trabalho e, consequentemente, dinheiro, talvez fama. O sucesso sem qualidade é uma coisa efêmera e escandalosa, é um balão de gás colorido, que murcha e despenca, silenciosamente.
Por outro lado, quando um artista se priva do reconhecimento e possível desfrute do seu sucesso está privando a todas as pessoas e não somente a si mesmo, do acesso e da celebração de sua conquista. Não desfrutando, não ensina nem divide.

Fama, dinheiro, qualidade, popularidade e aceitação, não andam juntas o caminho todo e, transpiração, tempo, paciência, força de vontade, estudo, amor e dedicação se abandonados, ainda que já se tenha conquistado o sucesso, este é mais um balão de gás.

Falando em Larousse:
Sucesso: 1 – Resultado feliz, êxito. 2 – Acontecimento, fato, caso, ocorrência.
Agora, volte para o espelho e Aconteça!!!
Com amor e com Deus!

Jade El Jabel*- Professora e dançarina de dança do ventre

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dança do ventre e o toque verde e amarelo


Por: Jade El Zabel*

A Dança do Ventre veio para Brasil com os árabes, atraídos pelo comércio e, atraídos
por eles, outros árabes: libaneses, sírios, iraquianos e os músicos, simplesmente, apareceram. Onde há família árabe, há festa, onde há festa, música e sendo a música árabe, dança do ventre e foi assim que tudo começou no Brasil, em São Paulo, nos anos 70/80. Por todo o Mundo, atualmente, bailarinas brasileiras trabalham e são referência, e, apesar da diversidade étnica e de estilos, há um consenso que há uma “Dança do Ventre Brasileira” e que esta tem algo de especial.

A Dança acontecia em festas e restaurantes árabes, depois em Grandes Eventos (promovidos, também, por brasileiros), surgiram bares e restaurantes com apresentações regulares e, com esta demanda, surgiu o mercado de aulas e Festivais, teve a novela “O Clone” e, com a moda, escolas, Eventos e o Mercado de Dança do Ventre atual, com Festivais Internacionais, patrocínio, etc.

E então nos perguntamos por que o Brasil? Porque o Brasil sempre teve capacidade de absorver outras Culturas, porque as mulheres brasileiras são femininas, bonitas, sensuais, porque virou moda? E então, procurando respostas, fui pro Cairo.
Eu me senti deslocada em diferentes fases da minha vida, no Magistério, no Piano, na Letras, na família “de homens” onde cresci e ser adolescente nos anos 80 não foi nada fácil. Cresci e fui ver o mundo, sozinha mesmo, já havia descoberto que as pessoas são únicas e não tinha mais o desejo adolescente de “não ser diferente da maioria”.

Assim, “deslocada”, “diferente”, me senti na Europa, com “alguma coisa fora do lugar”, a pele, o cabelo, o sorriso, a altura, tudo ou quase tudo em mim era só eu quem tinha, por onde quer que andasse na rua e, no Cairo, nos passeios pela periferia, nos ônibus, indo sozinha ao Supermercado e tendo contato com as pessoas comuns e não somente as treinadas para atender ao “gosto ocidental”, de um certo modo, me senti em casa. Nada de respostas. Fui de novo, mais um mês... Quase, quase... Nos parecemos fisicamente, no astral, no gosto pela conversa, amamos futebol, gostamos de festa.

De volta ao Brasil, a pergunta gritando dentro de mim, fui ouvir o baião, o aboio, o repente e lá estava ele: O ritmo, o molho, a África, a colonização árabe no Nordeste, a mistura, o cabelo duro e descobri (especulei, inventei, decidi, sei lá) que a mulher brasileira e a Dança do Ventre é um reencontro, uma mulher brasileira e uma egípcia se parecem mais do que uma brasileira e uma européia ou uma egípcia e uma indiana, algo muito especial e ancestral no liga.

Especulações à parte, dê uma boa olhada nas ruas do Cairo, tire os preconceitos e os lenços e você irá encontrar seu sorriso, o seu olhar, entre os rostos daquelas mulheres. Voltando ao Brasil, vá a uma quadra de escola de samba ver as egípcias sem lenço, nem preconceito, nem pudor. É tão lindo!

Jade El Zabel* professora e dançarina de dança do ventre