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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Carta aberta da MMM- Moção de Repúdio ao Estatuto do Nascituro


A Marcha Mundial das Mulheres repudia com indignação o Projeto de Lei (PL) de autoria do Deputado Luiz Bassuma (PV-BA) e Miguel Martini (PHS-MG), que propõe instituir o Estatuto do Nascituro. O PL passa a considerar sujeito pleno de direito o óvulo fecundado, ou seja, o concebido e não nascido passa a ter mais direitos do que a mulher.

Tal PL pretende ainda legalizar, a violência sexual, especialmente o estupro que sofrem as mulheres. Tornando inadmissível o aborto conseqüente desta violação e instituindo o pagamento de auxilio para sustentação do nascido até os 18 anos. A “Bolsa Estupro”, como é conhecida pelos movimentos de mulheres, reforçará que a punição recairá sobre a própria mulher. A bolsa terá que ser paga pelo agressor e caso não o faça o ônus recairá sobre o Estado.

Afora a hipocrisia, se destaca a pretensão do legislador em querer determinar quando começa a vida, coisa que nem a ciência ousou fazer. Ao analisar os dispositivos desta proposta cai por terra o discurso de “proteção da vida”, pois não se vê nada além do que já tratam as legislações vigentes, sobre direitos de personalidade, direito de saúde e patrimoniais dos recém nascidos.

Caso aprovado fica proibido ainda qualquer manifestação que trate do assunto Aborto, cerceando o direito do debate quesito fundamental na democracia.

Entendemos que a proposta do “Estatuto do nascituro” deve ser rechaçada, pois ela significa mais um dos ataques dos conservadores, machistas e opressores:

- Condena as mulheres à submissão, mantendo-as expostas à violência;

- Reflete a omissão do legislativo diante do aborto como elemento de preservação da vida das mulheres e de garantia da autonomia;

- Golpeia a democracia, a igualdade e a justiça, atingindo bens e valores construídos historicamente.

O avanço rumo à aprovação do chamado “Estatuto do Nascituro”, deve ser visto como ameaça aos direitos das mulheres. Nele, estão reunidas as pautas mais retrogradas e de submissão, ostentadas pelo patriarcado e as instituições que o perpetuam, ao longo dos séculos: controle sobre o corpo das mulheres, a institucionalização da violência sexual e o domínio sobre o destino das mulheres.

Direito ao nosso corpo. Legalizar o aborto!

Marcharemos até que todas sejamos inteiramente LIVRES!

MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mundo repudia ataque de Israel a frota humanitária


O Instituto da Cultura Árabe rejeita, lamenta e indigna-se frente o ataque das Forças Armadas israelenses a um comboio humanitário organizado pela ONG Free Gaza, nesta segunda-feira, 30 de maio. O grupo era formado por seis navios liderados por uma embarcação turca que transportava mais de 750 pessoas e 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a faixa de Gaza. Ao menos dez pessoas morreram e cerca de 30 ficaram feridas.

A ação foi realizada em águas internacionais e sem qualquer motivo que a justificasse. A cineasta brasileira Iara Lee estaria entre os tripulantes do comboio, e ainda não se tem notícias de seu estado após o ataque. O governo brasileiro divulgou uma nota convocando o embaixador de Israel ao Itamaraty para que seja manifestada a indignação em relação ao ataque e a preocupação com a situação da cidadã brasileira. Na nota, o Brasil defende ainda que o bloqueio imposto à faixa de Gaza seja levantado "imediatamente", com o objetivo de garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo aos territórios da região.

Países de todo o mundo também manifestaram sua revolta para com fato. O governo do Paquistão condenou o uso de "força descarada" por parte de Israel contra uma "missão humanitária" que se dispunha a fornecer ajuda humanitária aos palestinos de Gaza.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Turquia reagiu duramente ao ataque e, em comunicado, afirma que o governo israelense terá que enfrentar as consequências por seu comportamento.

O governo turco diz que o Exército israelense usou a força contra um grupo de ajuda humanitária, que inclui "idosos, mulheres e crianças" que viajam nos navios, o que considerou "inaceitável".

O Ministério de Assuntos Exteriores da Grécia iniciou um mecanismo de gestão de emergência com um telefone à disposição dos familiares dos gregos que estão na "Frota da Liberdade", pois três dos navios que a compõem procedem deste país.

Yanis Maistros, porta-voz em Atenas da seção grega da iniciativa, declarou que "os navios foram sequestrados"; e que "receberam disparos a partir de lanchas e helicópteros israelenses quando estavam navegando em águas internacionais, próximas ao litoral israelense".

Assim como os gregos, a comunidade europeia também reagiu ao incidente. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, pediu hoje às autoridades israelenses uma "investigação completa" sobre o ataque à "Frota da Liberdade".

O Líbano pediu a convocação do Conselho de Segurança da ONU. O Irã qualificou o ataque como desumano. O Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha classificou o ataque como um fato inaceitável. O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner disse que nada justifica o uso de tal violência.

O ataque também mereceu enérgica condenação da Organização da Conferência Islâmica.
A “Frota da Liberdade” foi a segunda tentativa de romper o bloqueio à Faixa de Gaza, imposto por Israelo desde 2007. Entre o final de 2008 e o início de 2009, Israel realizou um massacre àquele território palestino, que deixou cerca de 1500 mortos.

O ataque revela o terrorismo de Estado de Israel e demonstra que o país não pretende permitir a libertação do povo nem a criação do Estado palestino.

ANP

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos devido ao ataque. Em comunicado emitido na Cisjordânia, por meio da agência oficial palestina "Wafa", Abbas não anunciou, no entanto, uma interrupção do diálogo indireto de paz que mantém com Israel.

"O que Israel cometeu contra os ativistas da 'Frota da Liberdade' é um massacre", disse Abbas. Seu porta-voz, Nabil Abu Rudeina, qualificou a ação de "crime contra a humanidade, já que foram atacados ativistas que não estavam armados e tentando romper o bloqueio sobre Gaza fornecendo ajuda".

O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, leu diante das câmaras um comunicado no qual assegura que "nada pode justificar" o "crime" cometido hoje por Israel. "Esse crime reflete mais uma vez a falta de respeito de Israel pelas vidas de civis inocentes e pelo direito internacional", acrescentou.

Um dos principais assessores de Abbas, o chefe negociador palestino Saeb Erekat, qualificou o ocorrido de "crime de guerra" que "confirma que Israel age como um Estado acima da lei". Ele pediu uma resposta "rápida e apropriada" da comunidade internacional.

"Eram embarcações civis, que levavam civis e bens civis - remédios, cadeiras de rodas, comida, materiais de construção - para os 1,5 milhão de palestinos fechados por Israel. Muitos pagaram com suas vidas. O que Israel faz em Gaza é horrível, nenhum ser humano esclarecido e decente pode dizer algo diferente", apontou Erekat.

O chefe do governo em Gaza do movimento islâmico Hamas, Ismail Haniyeh, qualificou o ataque como "brutal" e convocou um Dia da Ira, ou seja, que os palestinos tomem as ruas em protesto pelas mortes.

Ele pediu à "comunidade internacional, principalmente as Nações Unidas, que ajam o mais rápido possível para proteger os navios e os ativistas e pôr fim ao bloqueio" que Israel mantém sobre Gaza há anos com a cooperação do Egito.

Além disso, pediu a Abbas que suspenda "imediatamente" o diálogo entre israelenses e palestinos com mediação dos Estados Unidos. Representantes da comunidade palestina com cidadania israelense convocaram para amanhã uma manifestação geral.

Fonte: Icarabe

terça-feira, 1 de junho de 2010

Porque vou a Gaza


Carta da Flotilha da Liberdade

A brasileira Iara Lee, cineasta e ativista social, era uma das integrantes da "Flotilha da Liberdade", um grupo de seis navios que transportava mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza e que foi atacado por Israel na madrugada de segunda-feira (31/5).

Abaixo, um texto escrito por Iara pouco antes da viagem.

Porquê vou a Gaza
Em alguns dias eu serei a única brasileira a embarcar num navio que integra a GAZA FREEDOM FLOTILLA. A recente decisão do governo israelense de impedir a entrada do acadêmico internacionalmente reconhecido Noam Chomsky nos Territórios Ocupados da Palestina sugere que também seremos barrados. Não obstante, partiremos com a intenção de entregar comida, água, suprimentos médicos e materiais de construção às comunidades de Gaza.

Normalmente eu consideraria uma missão de boa vontade como esta completamente inócua. Mas agora estamos diante de uma crise que afeta os cidadãos palestinos criada pela política internacional. É resultado da atitude de Israel de cercar Gaza em pleno desafio à lei internacional. Embora o presidente Lula tenha tomado algumas medidas para promover a paz no Oriente Médio, mais ação civil é necessária para sensibilizar as pessoas sobre o grave abuso de direitos humanos em Gaza.
O cerco à Faixa de Gaza pelo governo israelense tem origem em 2005, e vem sendo rigorosamente mantido desde a ofensiva militar israelense de 2008-09, que deixou mais de 1.400 mortos e 14.000 lares destruídos. Israel argumenta que suas ações militares intensificadas ocorreram em resposta ao disparo de foguetes ordenado pelo governo Hamas, cuja legitimidade não reconhece. Porém, segundo organizações internacionais de direitos humanos como Human Rights Watch, a reação militar israelense tem sido extremamente desproporcional.

O cerco não visa militantes palestinos, mas infringe as normas internacionais ao condenar todos pelas ações de alguns. Uma reportagem publicada por Amnesty International, Oxfam, Save the Children, e CARE relatou, “A crise humanitária [em Gaza] é resultado direto da contínua punição de homens, mulheres e crianças inocentes e é ilegal sob a lei internacional.”

Como resultado do cerco, civis em Gaza, inclusive crianças e outros inocentes que se encontram no meio do conflito, não têm água limpa para beber, já que as autoridades não podem consertar usinas de tratamento destruídas pelos israelenses. Ataques aéreos que danaram infraestruturas civis básicas, junto com a redução da importação, deixaram a população em Gaza sem comida e remédio que precisam para uma sobrevivência saudável.

Nós que enfrentamos esta viagem estamos, é claro, preocupados com nossa segurança também. Anteriormente, alguns barcos que tentaram levar abastecimentos a Gaza foram violentamente assediados pelas forças israelenses. Dia 30 de dezembro de 2008 o navio ‘Dignity’ carregava cirurgiões voluntários e três toneladas de suprimentos médicos quando foi atacado sem aviso prévio por um navio israelense que o atacou três vezes a aproximadamente 90 milhas da costa de Gaza. Passageiros e tripulantes ficaram aterrorizados, enquanto seu navio enchia fazia água e tropas israelenses ameaçavam com novos disparos.

Todavia eu me envolvo porque creio que ações resolutamente não violentas, que chamam atenção ao bloqueio, são indispensáveis esclarecer o público sobre o que está de fato ocorrendo. Simplesmente não há justificativa para impedir que cargas de ajuda humanitária alcancem um povo em crise.

Com a partida dos nossos navios, o senador Eduardo Matarazzo Suplicy mandou uma carta de apoio aos palestinos para o governo de Israel. “Eu me considero um amigo de Israel e simpatizante do povo judeu” escreveu, acrescentando: “mas por este meio, e também no Senado, expresso minha simpatia a este movimento completamente pacífico…Os oito navios do Free Gaza Movement (Movimento Gaza Livre) levarão comida, roupas, materiais de construção e a solidariedade de povos de várias nações, para que os palestinos possam reconstruir suas casas e criar um futuro novo, justo e unido.”

Seguindo este exemplo, funcionários públicos e outros civis devem exigir que sejam abertos canais humanitários a Gaza, que as pessoas recebam comida e suprimentos médicos, e que Israel faça um maior esforço para proteger inocentes. Enquanto eu esteja motivada a ponto de me integrar à viagem humanitária, reconheço que muitos não têm condições de fazer o mesmo. Felizmente, é possível colaborar sem ter que embarcar em um navio. Nós todos simplesmente temos que aumentar nossas vozes em protesto contra esta vergonhosa violação dos direitos humanos.

Fonte: Icarabe

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Cadê a Cultura?


Por:Leonard Almeida

Primeiramente quero parabenizar o acesso do São Bernardo F.C. à primeira divisão do Paulista. E claro, a grande final que o E.C. Santo André disputou com o Santos. Como diria o Cláudio Coutinho, é o “campeão moral”. Em suma, o esporte na região está bem representado e nos enchendo de orgulho. Mas não é disso que falarei aqui.

Diferentemente do esporte, especificamente o futebol, a Cultura no ABC vai mal das pernas. Em todas as sete cidades, é fácil reparar como há pouco (ou nenhum) incentivo a projetos que levem cultura e arte à população. Prova disso foi o fiasco do Festival de Paranapiacaba no ano passado, e a ausência de nossos municípios na rota da Virada Cultural do interior. São Bernardo foi a única cidade incluída na programação, quase que às pressas para não passar vexame. E as atrações não passam nem perto das de outras cidades de menor expressão. É vergonhoso nossa região, que tem tanta força e potencial econômico e político, não participar integralmente de um evento deste porte. Região essa que já recebeu bandas como Ramones, Deep Purple, e várias outras de peso, não pode se contentar em ter shows de artistas medianos ou medíocres.

Cultura, no latim, significa “cultivar o solo”. Desse jeito, o que está sendo cultivado para nossa população colher? Cadê a Cultura, ABC?

domingo, 18 de abril de 2010

Líbano – 25 de março, feriado islamo-cristão à Virgem Maria


Por Roberto Khatlab*

O Líbano, em uma ocasião única, decretou 25 de março como um dia de feriado nacional, dia consagrado à Anunciação da Virgem Maria. Lembrando que a Virgem Maria, venerada pelos cristãos, é também admirada pelos muçulmanos.

O Alcorão, livro sagrado do Islã, recita: “Ó Maria, é certo que Deus te elegeu e te purificou, e te preferiu a todas as mulheres da humanidade” (Surata Aal `Imran 3, 42). No Islã, Maria é considerada a “Mãe” dos fiéis muçulmanos. Nesta perspectiva podemos ver um ponto de diálogo entre o cristianismo e o islamismo, abertura de espírito, fora de qualquer polêmica. Notamos também que o Alcorão não cita nenhum nome de mulher, salvo o de Maria, mãe de Jesus (30 vezes). O Alcorão tem até mesmo uma surata (capítulo) intitulado “Surata Maryam” (19), que contém o relato da anunciação, gravidez e nascimento de seu filho Jesus.

Diante deste ponto em comum, foi criada, na data 25 de março, que é o Dia da Anunciação para os cristãos, uma festa nacional islamo-cristã, abrindo uma grande porta para o diálogo inter-religioso. No Líbano este episódio tem um significado especial, visto ser um país onde vivem diversas comunidades religiosas.

Para que a data fosse criada, foram necessários muitos anos de conversações, sendo que os principais representantes desse diálogo são o Cheikh Mohammad Nokkari, o juiz “Charia” (lei islâmica) de Beirute, o antigo secretário geral da Dar al-Fatwa (Tribunal Muçulmano Sunita) e Nagy el-Khoury, secretário geral da Associação dos Antigos Amigos de Jamhour (Colégio Nossa Senhora de Jamhour, padres Jesuítas no Líbano), co-secretário geral do encontro islamo-cristão no circulo da Virgem Maria.

A primeira cerimônia islamo-cristão de 25 de março foi realizada neste ano, na igreja do Colégio Nossa Senhora de Jamhour. O evento reuniu cantos, salmos e várias autoridades religiosas e civis, muçulmanas e cristãs, tendo como convidado estrangeiro Lech Walesa, ex-presidente da Polônia e Nobel da Paz.

De acordo com palavras do Cheikh Nokkari, proferidas na ocasião, “este encontro não tem como objetivo criar uma nova festa religiosa aos muçulmanos. Não se trata, também, de acrescentar uma nova festa ao calendário litúrgico cristão. Não existe em nosso encontro nenhuma prática religiosa comum. Por esta razão que nós desejamos, desde o início, que ele se tornasse uma festa nacional e não religiosa. Este encontro criou um novo fenômeno mundial cultural, de interesse tanto do Islã quanto do cristianismo”.

Após a cerimônia, todas as pessoas foram até a praça do Museu Nacional de Beirute, local que durante a guerra civil (1975-1989) era campo de batalha entre Beirute Leste (dito cristão) e Oeste (dito muçulmano). Ali foi inaugurada uma placa comemorativa do evento e uma menina muçulmana da família Adra de Tripoli, chamada Maryam (Maria), foi quem descobriu a placa para ficar como marco da comemoração.

O Líbano é um país de coexistência há séculos e permanece com esta vocação. Uma terra de hospitalidade, um país que faz parte da “Terra Santa” para as três religiões monoteístas que nasceram naquela mesma região. O 25 de março passou também a ser, a partir de 2008, uma data significativa no Brasil, quando se comemora o Dia Nacional da Comunidade Árabe no Brasil, em função da grande colônia de imigrantes árabes e filhos de imigrantes, muçulmanos e cristãos, que vivem lado a lado neste território, terra de coexistência e hospitalidade.

Roberto Khatlab*
é pesquisador no Centro de Estudos da Emigração Libanesa da Universidade Notre Dame, no Líbano.

domingo, 11 de abril de 2010

Refutando a ideia de opressão e desrespeito às mulheres muçulmanas


Por Hesdras Sérvulo Souto de Siqueira Campos Farias*

A condição da mulher é hoje muito discutida em congressos e fóruns mundiais que têm a mulher como eixo central dos debates. O ocidente costuma dirigir muitas críticas ao Islã por tratar, na sua visão, a mulher com desrespeito e humilhação. Quem faz tais afirmativas desconhece por completo o islamismo. Poucas pessoas sabem, por exemplo, que o primeiro muçulmano, foi uma mulher, Khadija, esposa do Profeta Muhammad (chamado de Maomé nas línguas latinas). Ela foi a primeira pessoa a quem o Profeta falou da Revelação e foi quem o apoiou nos momentos mais difíceis, incentivando-o nas pregações ao povo. Portanto, Khadija foi a primeira pessoa a aceitar o Islã. (ABD’ALLAH. 1989).

O Alcorão, livro Sagrado do Islã, assegura uma série de direitos às mulheres, direitos que outrora inexistiam, em qualquer que fosse a sociedade ou religião. Inclusive, alguns direitos, apenas ela possui, refutando a ideia de que a mulher é desprovida de direitos que assegurem sua dignidade no islamismo. O livro ainda reserva uma Surata, mais precisamente a quarta, inteira só para a mulher, a chamada Suratu An-Nissá (A sura das mulheres). Para facilitar uma melhor compreensão, o texto será separado em três âmbitos: social, econômico e espiritual.

A mulher no contexto social:

A vida
O primeiro e fundamental direito de qualquer ser humano é o direito à vida, e o Alcorão assegura esse direito:

“...Quem mata uma pessoa, sem que esta haja matado outra ou semeado corrupção na terra, será como se matasse todos os homens. E quem lhe dá a vida será como se desse a vida a todos os homens...” (Surata 5:32)

A proteção e a reputação
Era costume de alguns homens, quando não queriam mais suas mulheres, caluniarem e difamarem sua honra, causando severas punições a elas. O Alcorão tem uma lei que proteje a mulher desses incidentes:

“E aos que acusam de adultério as castas mulheres, em seguida, não fazem vir quatro testemunhas, acoitai-os com oitenta açoites, e, jamais, lhes aceiteis testemunho algum; e esses são os perversos.” Surata (24:4)

O trabalho
Dentre os vários argumentos que os detratores do Islã usam está o de dizer que a mulher muçulmana não pode trabalhar. O Islã diz que o homem é quem tem obrigação de cuidar e prover uma família, mas isso não impede que a mulher trabalhe, desde que seu trabalho não a impeça de cuidar da família e da educação dos filhos. Isso porque ela é a fonte de alegria, de carinho e dos bons valores. O trabalho dignifica o ser humano, independendo do sexo, e o Islã é uma religião que incentiva o trabalho e a instrução. Na história do Islã houve grandes mulheres que trabalharam, como Khadija, primeira esposa do Profeta, era uma grande comerciante na Arábia. Zaynad, outra esposa do Profeta, era uma grande artesã, além da senhora Rafida al Asslamia, que dedicou a vida a cuidar dos doentes e feridos na Mesquita do Profeta. Contam que na época do califa Omar Ibn al Khattab, a fiscalizadora geral do mercado era Axiffá, uma sábia mulher. Portanto, dizer que a mulher no Islã é proibida de trabalhar é um embuste. (WAHDANI, s/d).

A educação
No mundo islâmico, a educação também é assegurada a todos, homens e mulheres, além de ser gratuita, como a saúde. Ambas são de boa qualidade. Esse hadice (2) deixa isso claro: “Buscar o conhecimento é um dever de todo muçulmano e muçulmana (3)”. Contam queAisha era especialista em leis que tratavam de herança e sobre o que era lícito e Ilícito. Ela foi muito mencionada por diversos juristas por ter convivido bastante com o Profeta Muhammad. Chegaram até a dizer que ela era a mais eloquente dos árabes. (WAHDANI, s/d). A educação sempre foi prioridade no mundo islâmico. O Profeta costumava dizer: “Buscai o conhecimento até na china” e ainda “Procurem a sabedoria do berço até túmulo.”

O direito de falar e ser ouvida:

Durante séculos a mulher foi proibida de opinar sobre qualquer assunto, sua opinião era jamais consultada e sua voz jamais ouvida. E isso aconteceu até alguns poucos anos atrás. O Islã deu liberdade de expressão às mulheres, sobre qualquer assunto que desejassem opinar. O próprio Profeta consultava sua esposa Khadija sobre tudo e sempre seguia seus conselhos e ficava alegre ao ouvi-los.

O direito de escolher seu marido:
Apesar disto ter sido incomum em muitas culturas, inclusive na Arábia pré-islâmica, o Islã proibiu categoricamente que a mulher fosse forçada a casar-se sem o seu consentimento. Ninguém poderia forçá-la, fosse o pai, o irmão ou o tutor. Percebemos o zelo que o Profeta Muhammad tinha com as mulheres quando disse (4):

"Quanto mais cívico e amistoso for um Muçulmano para com a sua esposa mais perfeita é a sua fé."(Hadice compilado por Tirmidhi).

"Os crentes mais perfeitos são os melhores em conduta, e os melhores de entre vós são aqueles que são melhores para as suas esposas."(Ibn Hanbal).

"É o generoso (em caráter) aquele que é bom para as mulheres, e é fraco aquele que as insulta".

Para o Profeta, a mulher não é "um instrumento do demônio",mas, sim, uma "Muhsanah",ou seja, uma fortaleza contra satanás.

*Hesdras Sérvulo Souto de Siqueira Campos Farias é graduando em ciências sociais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco / Departamento de Letras e Ciências Humanas / Cátedra Ibn Arabi.

**Esta é uma síntese do artigo para lê-lo na integra acesse o site do Icarabe

sábado, 3 de abril de 2010

Quando os árabes chegaram ao Brasil?


Por Roberto Khatlab*

Ninguém sabe exatamente. O que se sabe com certeza, é que existem sim, registros de árabes na tripulação de Cabral, em 1500, além da presença árabe durante o período colonial no Brasil. Muitos ficaram quase no anonimato, enquanto outrosmarcariam sua história no decorrer do tempo, tal como o gramático Manuel Said Ali, nascido em Petrópolis, no Rio de janeiro em 1861, que era filho de Said Ali, árabe que faleceu dois anos depois do nascimento desse filho. Uma prova contundente de que já habitava o Brasil antes de 1861. Recentemente foi publicada a tradução do livro 'Deleite do estrangeiro em tudo o que é espantoso e maravilhoso: estudo de um relato de viagem bagdali', escrito pelo imã Abdurrahmán Al-Baghdádi, árabe nascido em Bagdá, que viveu no Brasil de 1865 a 1868, assim como tantos outros, particularmente, a partir de 1880, nove anos depois da viagem de Dom Pedro II ao Oriente, em 1871 ao Egito e em 1876 à Siria, Líbano, Palestina e Egito, e que deu origem à grande imigração dos árabes para o Brasil. Provavelmente por causa da divulgação feita com a passagem do Imperador pelo Levante.

Desta forma, a imigração árabe – libanesa, síria, palestina... – ao Brasil, ultrapassa facilmente mais de quatro séculos. Como historiador e pesquisador na área da imigração libanesa para o Brasil, e com livros e pesquisas publicados sobre este assunto, acredito que comemorar apenas os 130 anos da chegada dos árabes no país significa diminuir a importância da contribuição desse povo no desenvolvimento da nação brasileira e resvalar para um erro histórico sem precedência, porque deixa de considerar os que chegaram antes de 1880, os pioneiros que formariam a base para a grande imigração.

A Associação Cultural Brasil-Líbano (ACBL) foi a primeira a comemorar os 125 anos da imigração libanesa no Brasil em 2005, evento que contou com presença do presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, que bem lembrou naquela ocasião que, provavelmente, os libaneses já estavam aqui muitos anos antes do início oficial da imigração, em 1880. "Não sei se é só isso, se não tinha libanês infiltrado no navio de Cabral quando ele chegou aqui", disse o presidente.

Ainda que tenham se mantido ligados ao comércio, nos setores tradicionais ou não, e mais tarde à indústria, é notória a presença árabe nas mais diferentes atividades e setores profissionais, preferencialmente na medicina, no direito e nas atividades políticas, ao longo das gerações, e como decorrente do processo de consolidação de um projeto migratório concebido como provisório e que aos poucos se transformou em definitivo.

A ACBL neste ano, em abril, comemora o acontecimento, dando ênfase em seu logo para esta questão e colocando o sinal de “+130 anos da imigração libanesa no Brasil”, o que faz jus aos primeiros imigrantes árabes – libaneses, palestinos, sírios...- que ficaram no anonimato, mas cujo dinamismo resultou na grande coletividade árabe contemporânea, da qual os libaneses, segundo estimativas, formam o maior contingente. Esta coletividade faz parte, agora, da sociedade brasileira. Este fato pode ser facilmente comprovado quando seus descendentes dizem com orgulho e o coração aberto, “somos brasileiros de origem libanesa. Palestina, síria...” Portanto, não fixar datas precisas, é respeitar o pioneirismo de um povo forte e corajoso que aqui chegou como imigrante voluntário, sem ter um contrato de governo nas mãos que lhe assegurasse trabalho, alimentação e outros benefícios, como no caso dos italianos, alemães, japoneses..., estes sim, são conscientes de uma data de chegada precisa e sabem até mesmo o nome do navio que os transportaram.

Os árabes chegaram individualmente e apesar de não gostarem do passaporte turco, por se tratar de seus opressores na época, foi graças a ele que desembarcaram no Brasil e puderam livremente percorrer todo o território brasileiro, diferente de muitas colônias de imigrantes europeus que ficaram confinados às fazendas de café. Desse modo, o imigrante árabe foi uma ponte entre a cidade e o interior brasileiro, entre a casa grande e o casebre, foi o que fez intercâmbios de mercadorias e costumes em todo Brasil, de norte a sul, o gerador de um novo modelo de comércio para o Brasil. Onde, neste país, não se conhece o kibe, a esfiha, a prática do crediário ou docomércio feito “no corpo a corpo”? Esta foi e continua sendo – repito – do ponto de vista histórico, a grande contribuição dos árabes no Brasil: ser um novo elo entre as regiões brasileiras, gerando um novo estilo de vida e de comércio em todos os recantos deste imenso país. Por isso, compartilho e acho correto comemorar “+130 anos”. Ao contrário, restringir esta data há exatos 130 anos, é restringir também a grande história e a saga dos árabes no Brasil.

*Roberto Khatlab é pesquisador no Centro de Estudos da Emigração Libanesa da Universidade Notre Dame, no Líbano. Autor de vários livros sobre as relações Brasil-Líbano, entre eles Mahjar, Saga libanesa no Brasil (bilingue português-árabe), Editora Mukhtarat, Beirute, Líbano.

Fonte: Icarabe

sexta-feira, 26 de março de 2010

A 25 de março e a imigração árabe: histórias que se cruzam


Por Samira Adel Osman

Neste mês, duas histórias entrecruzadas comemoram mais um aniversário: a da rua 25 de Março, com 145 anos, e da imigração árabe, com o marco simbólico de 130 anos. Mas não se trata apenas de uma coincidência de datas; na verdade a história da 25 de Março está intrinsecamente ligada à imigração árabe para São Paulo e vice-versa.

A remota concentração árabe na região central de São Paulo, mais especificamente na 25 de Março e em suas adjacências como Ladeira Porto Geral, e as ruas Cav. Basílio Jafet, Comendador Abdo Schahin, Barão de Duprat, Afonso Kherlakhian, Senador Queiróz, Carlos de Souza Nazaré, fez com que fosse identificada na cidade como a “rua dos árabes” a despeito das transformações ocorridas, revelando uma forte vinculação identitária. Tal identificação levou à criação em 2008 do Dia Nacional da Comunidade Árabe no Brasil a ser comemorado no dia 25 de Março.

A fixação dos árabes na região central de São Paulo foi marcada pela ocupação da tradicional 25 de Março, da região do Ipiranga, da Vila Mariana, da região da Av. Paulista, a expressão máxima dos condicionantes sociais, com o anseio de prestígio social na comunidade e na sociedade. A partir de 1950, os imigrantes que foram chegando se dispersaram pelas zonas periféricas da cidade; alguns ainda permaneceram mais próximos ao centro como extensão da zona do mercado, ocupando o Brás e o Pari, enquanto outros se dispersavam em bairros como São Miguel, Penha, Santo Amaro, além de municípios vizinhos como Santo André e São Bernardo.

A concentração urbana remota marcou a inserção econômica vinculada à atividade de mascateação. O imigrante árabe é identificado, ainda hoje, por sua vinculação à atividade de mascateação e ao comércio popular e varejista, ligado ao setor de armarinhos, tecidos e confecções, e mais recentemente ao setor moveleiro. A ocupação dos bairros pelos membros da comunidade, em diferentes épocas, pode ser explicada a partir do sucesso econômico obtido por esse grupo ao longo do processo de consolidação na cidade.

Ainda que tenham se mantido ligados ao comércio, nos setores tradicionais ou não, e mais tarde à indústria, é notória a presença árabe nas mais diferentes atividades e setores profissionais, preferencialmente na medicina, no direito e nas atividades políticas, ao longo das gerações, e como decorrente do processo de consolidação de um projeto migratório concebido como provisório e que aos poucos se transformou em definitivo.

É ao longo das gerações de imigrantes que a presença árabe se mantém marcante na cidade de São Paulo e em outras cidades do país por onde se dispersaram, deixaram suas marcas e fincaram raízes. No reconhecimento de uma origem árabe, é que os membros dessa comunidade mantêm uma dupla vinculação identitária: ser árabe e ser brasileiro. É o que se celebra nesse 25 de Março.

Samira Adel Osman* é docente de História da Ásia do curso de história da UNIFESP Guarulhos e pesquisadora do Neho-USP (Núcleo de Estudos em História Oral) sobre a temática da imigração.
**Artigo publicado no site do Instituto de Cultura Árabe(ICARABE)

quarta-feira, 17 de março de 2010

O LAROUSSE DISSE


Por: Jade El Jabel*
O Larousse disse que são:

Humilde: Que está no chão, que não se levanta do chão, pouco elevado. 1 – Que tem ou aparenta humildade. 2 – Simples, modesto, pobre. 3 – Respeitoso, submisso. 4 – Medíocre, reles, obscuro.

Modesto: 1 – Que pensa a seu respeito ou fala de si mesmo sem orgulho, despretensioso, humilde. 2 – Moderado, desambicioso. 3 – Simples, pobre.

Orgulhoso: 1 – Que se orgulha, que apresenta um ar altivo, arrogante. 2 – Ufano, feliz, vaidoso.

Prepotente: 1 – Muito poderoso ou influente. 2 – Opressor, despótico. 3 – Que abusa do poder, tirânico.

Destas palavrinhas, as duas primeiras são comumente usadas para elogiar pessoas e as duas últimas, no sentido contrário. Contrário e oposto, como se estas palavras representassem antônimos umas das outras e não o são.

No sentido oposto do Humilde “que está no chão, pouco elevado”, não está o Prepotente “muito poderoso ou influente”, está o Altivo, que não se conforma ou se acomoda, o que tem força de vontade, iniciativa. Da mesma maneira que, na direção oposta do Prepotente “opressor, despótico” está o Justo, que tem bom senso e respeito pelas pessoas e não o Humilde “respeitoso e submisso”.

E, transitando por uma outra via que esbarra nestas características pessoais está o sucesso e a falta dele. Como já disseram, o dicionário é o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho. O sucesso vem do trabalho bem feito. E não é estar na moda, na mídia, não somente isso e a qualquer custo. É o reconhecimento da qualidade, por si próprio, pelo público e pelos colegas artistas, que traz trabalho e, consequentemente, dinheiro, talvez fama. O sucesso sem qualidade é uma coisa efêmera e escandalosa, é um balão de gás colorido, que murcha e despenca, silenciosamente.
Por outro lado, quando um artista se priva do reconhecimento e possível desfrute do seu sucesso está privando a todas as pessoas e não somente a si mesmo, do acesso e da celebração de sua conquista. Não desfrutando, não ensina nem divide.

Fama, dinheiro, qualidade, popularidade e aceitação, não andam juntas o caminho todo e, transpiração, tempo, paciência, força de vontade, estudo, amor e dedicação se abandonados, ainda que já se tenha conquistado o sucesso, este é mais um balão de gás.

Falando em Larousse:
Sucesso: 1 – Resultado feliz, êxito. 2 – Acontecimento, fato, caso, ocorrência.
Agora, volte para o espelho e Aconteça!!!
Com amor e com Deus!

Jade El Jabel*- Professora e dançarina de dança do ventre

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dança do ventre e o toque verde e amarelo


Por: Jade El Zabel*

A Dança do Ventre veio para Brasil com os árabes, atraídos pelo comércio e, atraídos
por eles, outros árabes: libaneses, sírios, iraquianos e os músicos, simplesmente, apareceram. Onde há família árabe, há festa, onde há festa, música e sendo a música árabe, dança do ventre e foi assim que tudo começou no Brasil, em São Paulo, nos anos 70/80. Por todo o Mundo, atualmente, bailarinas brasileiras trabalham e são referência, e, apesar da diversidade étnica e de estilos, há um consenso que há uma “Dança do Ventre Brasileira” e que esta tem algo de especial.

A Dança acontecia em festas e restaurantes árabes, depois em Grandes Eventos (promovidos, também, por brasileiros), surgiram bares e restaurantes com apresentações regulares e, com esta demanda, surgiu o mercado de aulas e Festivais, teve a novela “O Clone” e, com a moda, escolas, Eventos e o Mercado de Dança do Ventre atual, com Festivais Internacionais, patrocínio, etc.

E então nos perguntamos por que o Brasil? Porque o Brasil sempre teve capacidade de absorver outras Culturas, porque as mulheres brasileiras são femininas, bonitas, sensuais, porque virou moda? E então, procurando respostas, fui pro Cairo.
Eu me senti deslocada em diferentes fases da minha vida, no Magistério, no Piano, na Letras, na família “de homens” onde cresci e ser adolescente nos anos 80 não foi nada fácil. Cresci e fui ver o mundo, sozinha mesmo, já havia descoberto que as pessoas são únicas e não tinha mais o desejo adolescente de “não ser diferente da maioria”.

Assim, “deslocada”, “diferente”, me senti na Europa, com “alguma coisa fora do lugar”, a pele, o cabelo, o sorriso, a altura, tudo ou quase tudo em mim era só eu quem tinha, por onde quer que andasse na rua e, no Cairo, nos passeios pela periferia, nos ônibus, indo sozinha ao Supermercado e tendo contato com as pessoas comuns e não somente as treinadas para atender ao “gosto ocidental”, de um certo modo, me senti em casa. Nada de respostas. Fui de novo, mais um mês... Quase, quase... Nos parecemos fisicamente, no astral, no gosto pela conversa, amamos futebol, gostamos de festa.

De volta ao Brasil, a pergunta gritando dentro de mim, fui ouvir o baião, o aboio, o repente e lá estava ele: O ritmo, o molho, a África, a colonização árabe no Nordeste, a mistura, o cabelo duro e descobri (especulei, inventei, decidi, sei lá) que a mulher brasileira e a Dança do Ventre é um reencontro, uma mulher brasileira e uma egípcia se parecem mais do que uma brasileira e uma européia ou uma egípcia e uma indiana, algo muito especial e ancestral no liga.

Especulações à parte, dê uma boa olhada nas ruas do Cairo, tire os preconceitos e os lenços e você irá encontrar seu sorriso, o seu olhar, entre os rostos daquelas mulheres. Voltando ao Brasil, vá a uma quadra de escola de samba ver as egípcias sem lenço, nem preconceito, nem pudor. É tão lindo!

Jade El Zabel* professora e dançarina de dança do ventre

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Oriente Médio: conflito religioso ou político?


Lejeune Mirhan *

No final do século 19, surge um movimento político forte, que defendia abertamente que os judeus tivessem um lar nacional, uma terra onde pudessem viver em paz, com os seus, falar a sua língua, pois eles viveram espalhados pelo mundo, em guetos como na Alemanha e na Polônia. Foram segregados. Sonhavam com a volta para uma terra que um dia viveram no passado.

Foi assim que, num Congresso Sionista Judaico, realizado em 1897 na Basiléia, Suíça, essas ideias tomaram corpo e passaram a ser implementadas. O grande líder dessa corrente de pensamento foi Theodor Herzl que defendia ardorosamente o Lar Nacional Judaico. Chegou-se a discutir onde esse lar pudesse ser instalado em nossa Amazônia, assim como na Argentina ou Uganda na África. Mas chegou-se a conclusão, por ampla maioria, que somente uma terra teria a força, com base na religião, de atrair um povo ou parte dele, que era a Palestina, onde os ancestrais dos atuais judeus de fato viveram por um tempo.

Ora, o que é essa proposta senão um projeto colonial? É o chamado nacionalismo judaico. É certo que uma parte dos primeiros colonos que emigraram para a Palestina, nas primeiras décadas do século 20 eram socialistas e tinham influência marxista. Suas ideias de montar os Kibutzim, que são espécie de fazendas coletivas, tinham como base a coletivização de toda a produção. Tal projeto sensibilizou, inclusive, alguns líderes comunistas e revolucionários em determinada época, que acabaram por apoiar a criação de Israel em 1947.

A migração judaica foi intensa e incentivada pelas grandes potências que tinham todo o interesse em criar um enclave seu em meio a um vasto território habitado por árabes e, desde o começo do século XX, já haviam sido confirmadas as grandes jazidas petrolíferas na região. Isso motiva o redesenho do mapa na região. Países foram artificialmente criados, como o Kuwait, atendendo única e exclusivamente aos interesses coloniais.

Aos palestinos, que viviam sob a ocupação britânica (de 1922 a 1948), restou sempre a luta. Contra o colonizador inglês, contra o novo colonizador, que eram os nacionalistas judeus que buscavam suas terras. Algumas delas foram, é verdade, compradas em ouro, em moedas aceitas na região, em libra esterlina, a moeda do comércio internacional da época. Mas, em sua grande maioria, essas terras foram expropriadas, tomadas à força e seu legítimo dono foi expulso.

Essa expulsão vai ficar mais explícita mesmo em 15 de maio de 1948, quando da proclamação por Ben Gurion, do Estado judaico, autorizado a ser criado pelas Nações Unidas em 29 de novembro do ano anterior. Esse dia é conhecido como Al Nakba (que em árabe quer dizer o Dia da Desgraça). Estima-se que pelo menos dois milhões de palestinos foram expulsos de suas terras (hoje são quatro milhões que ainda vivem fora da Palestina e que lhes é negado o direito ao retorno, diferente da Lei do retorno, que garante, automaticamente a todo judeu vivendo em qualquer parte do mundo a sua volta à Palestina, hoje Israel).

Assim, meus caros leitores, não acreditem que o conflito é religioso. Podemos dizer que ele tem componentes religiosos, mas é essencialmente político, de luta pela terra, enfim, um projeto colonial, imperialista. Por isso estamos com os árabes e palestinos.


*Lejeune Mirhan é Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo Sociólogo, Escritor, Arabista e Professor, Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological Association, Colunista do Portal Vermelho sobre Oriente Médio e Colunista da Revista "Sociologia" - Editora Escala

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Homenagem à estupidez


Por: Luma Jatobá

"Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações. O meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões(...)"

Como já cantava Renato Russo, vamos celebrar a ignorância em permitir que a história do país seja contada sob a perspectiva de quem sempre traiu, explorou, torturou e envergonhou nossa nação. Vamos comemorar toda vez que passarmos por ruas e avenidas que levem os nomes destes calhordas.

"Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa polícia e televisão.Vamos celebrar nosso governo e nosso estado que não é nação(...)"

Será que alguém parou para pensar que dar ao "Minhocão" o nome de "Elevado Costa e Silva" é o mesmo de aplaudir de pé os mais de 20 anos de tortura, morte e censura no Brasil? Creio que não. Numa ação inovadora de alguns membros da União Nacional dos Estudantes em São Paulo, eles paravam motoristas que passavam pelo elevado e perguntavam: "Você sabe quem foi Costa e Silva?" Surpreendentemente poucos sabiam mas muitos diziam que deveria ser alguém muito importante, já que o elevado tem seu nome. Numa tentavia de conscientizar as pessoas os estudantes trocaram as placas que traziam o nome original "Elevado Costa e Silva" por "Elevado ao ditador e torturador Costa e Silva", pena que as placas não puderam esclarecer muitos pois foram tiradas antes do amanhecer pela polícia.

"Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos(...)"

Vamos festejar as "ditabrandas", conhecidas pelo "Deus Google" ironicamente como dieta branda, articuladas com apoio da imprensa tupiniquim e hoje em dia reapresentada á população com o olhar apenas de quem contribui para torná-la real. Comemorar os livros de história de nossas crianças e adolescentes, cheios de mentiras e invencionices.

"Vamos festejar a inveja, a intolerância e a incompreensão. Vamos festejar a violência e esquecer a nossa gente que trabalhou honestamente a vida inteira, e agora não tem mais direito a nada(...)"

Trazer à memória todos os mortos em manifestações pacificas pela liberdade de expressão, os guerrilheiros que deram suas vidas por um ideal, todos os camponeses mortos no Araguaia. Os companheiros que morreram sob tortura, os que viram seu parentes "desaparecerem" e até hoje procuram uma pista de onde estão seus corpos.

"Vamos celebrar o horror de tudo isto com festa, velório e caixão. Tá tudo morto e enterrado agora já que também podemos celebrar a estupidez de quem cantou
essa canção(...)"


E de quem escreveu este artigo também...

domingo, 6 de setembro de 2009

Independência ou morte?



Já pensou se tivessemos que responder esta pergunta? Seria realmente uma carnificina, já parou para pensar em independência? Nós(brasileiros)não somos nem um pouquinho independentes, pelo contrário. Para chegar até os anos 2000 comemos o pão que os poderosos amassaram, primeiro os portugueses e depois os estadunidenses, quem é que não imagina como seria a vida dos preguiçosos aqui não fossem os portugas catequizarem nossos indios à força e fazer deles escravos?Roubar nossas riquezas...depois de séculos quando tudo parecia "superado" explodiram as ditaduras na América Latina e advinhem quem estava por trás disso? Tio Sam, é claro, e mais uma vez teriamos que aprender que quem manda no mundo é quem tem cacife, e potencial bélico. Hoje 45 anos depois do golpe militar e 509 anos depois de sermos "descobertos", devemos comemorar a nossa independência? Somos livres? De quem?
Alguém se lembra dos desfiles de 7 de setembro nas ruas, fantasias, roupas verde-amarelo...e de cantar o hino nacional todos os dias antes de entrar na sala de aula? Há quem diga que era nosso lado patriótico sendo explorado, será?
Pergunte para seus amigos, vizinhos, parentes que feriado é esse mesmo? Com toda certeza alguém vai responder: "tanto faz, é feriadão, se não chover dá até pra pegar uma praia". Então aproveite o mar, a sombra e água fresca para pensar, será que somos independentes?