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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Brasileiros se unem para pedir renúncia de Mubarak


Na próxima sexta-feria, 4, as ruas do centro de São Paulo serão tomadas por manifestantes com objetivo de somar suas vozes às de outras milhões ao redor do mundo no coro: "Fora Mubarak".

A situação do presidente do Egito está complicada e de duas semanas para cá, a onda de passeatas tem rodado o globo, os manifestantes querem a mesma coisa: a renúncia de Mubarak e mudanças democráticas no país.

Os aliados do presidente egípcio(vide presidentes de países europeus + EUA+ Israel) estão tensos com o clima na região e temem que uma "possível" saída de Mubarak resulte na eleição de um presidente anti-imperialista ou "radical- extremista", como costumam classificar.

Em São Paulo, estão esperados pessoas ligadas a movimentos sociais, descendentes árabes e pessoas engajadas socialmente.

A passeata é amanhã, 4, com concentração na frente do shopping 25 de março, à partir das 16h30.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mundo repudia ataque de Israel a frota humanitária


O Instituto da Cultura Árabe rejeita, lamenta e indigna-se frente o ataque das Forças Armadas israelenses a um comboio humanitário organizado pela ONG Free Gaza, nesta segunda-feira, 30 de maio. O grupo era formado por seis navios liderados por uma embarcação turca que transportava mais de 750 pessoas e 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a faixa de Gaza. Ao menos dez pessoas morreram e cerca de 30 ficaram feridas.

A ação foi realizada em águas internacionais e sem qualquer motivo que a justificasse. A cineasta brasileira Iara Lee estaria entre os tripulantes do comboio, e ainda não se tem notícias de seu estado após o ataque. O governo brasileiro divulgou uma nota convocando o embaixador de Israel ao Itamaraty para que seja manifestada a indignação em relação ao ataque e a preocupação com a situação da cidadã brasileira. Na nota, o Brasil defende ainda que o bloqueio imposto à faixa de Gaza seja levantado "imediatamente", com o objetivo de garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo aos territórios da região.

Países de todo o mundo também manifestaram sua revolta para com fato. O governo do Paquistão condenou o uso de "força descarada" por parte de Israel contra uma "missão humanitária" que se dispunha a fornecer ajuda humanitária aos palestinos de Gaza.

O Ministério de Assuntos Exteriores da Turquia reagiu duramente ao ataque e, em comunicado, afirma que o governo israelense terá que enfrentar as consequências por seu comportamento.

O governo turco diz que o Exército israelense usou a força contra um grupo de ajuda humanitária, que inclui "idosos, mulheres e crianças" que viajam nos navios, o que considerou "inaceitável".

O Ministério de Assuntos Exteriores da Grécia iniciou um mecanismo de gestão de emergência com um telefone à disposição dos familiares dos gregos que estão na "Frota da Liberdade", pois três dos navios que a compõem procedem deste país.

Yanis Maistros, porta-voz em Atenas da seção grega da iniciativa, declarou que "os navios foram sequestrados"; e que "receberam disparos a partir de lanchas e helicópteros israelenses quando estavam navegando em águas internacionais, próximas ao litoral israelense".

Assim como os gregos, a comunidade europeia também reagiu ao incidente. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, pediu hoje às autoridades israelenses uma "investigação completa" sobre o ataque à "Frota da Liberdade".

O Líbano pediu a convocação do Conselho de Segurança da ONU. O Irã qualificou o ataque como desumano. O Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha classificou o ataque como um fato inaceitável. O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner disse que nada justifica o uso de tal violência.

O ataque também mereceu enérgica condenação da Organização da Conferência Islâmica.
A “Frota da Liberdade” foi a segunda tentativa de romper o bloqueio à Faixa de Gaza, imposto por Israelo desde 2007. Entre o final de 2008 e o início de 2009, Israel realizou um massacre àquele território palestino, que deixou cerca de 1500 mortos.

O ataque revela o terrorismo de Estado de Israel e demonstra que o país não pretende permitir a libertação do povo nem a criação do Estado palestino.

ANP

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos devido ao ataque. Em comunicado emitido na Cisjordânia, por meio da agência oficial palestina "Wafa", Abbas não anunciou, no entanto, uma interrupção do diálogo indireto de paz que mantém com Israel.

"O que Israel cometeu contra os ativistas da 'Frota da Liberdade' é um massacre", disse Abbas. Seu porta-voz, Nabil Abu Rudeina, qualificou a ação de "crime contra a humanidade, já que foram atacados ativistas que não estavam armados e tentando romper o bloqueio sobre Gaza fornecendo ajuda".

O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, leu diante das câmaras um comunicado no qual assegura que "nada pode justificar" o "crime" cometido hoje por Israel. "Esse crime reflete mais uma vez a falta de respeito de Israel pelas vidas de civis inocentes e pelo direito internacional", acrescentou.

Um dos principais assessores de Abbas, o chefe negociador palestino Saeb Erekat, qualificou o ocorrido de "crime de guerra" que "confirma que Israel age como um Estado acima da lei". Ele pediu uma resposta "rápida e apropriada" da comunidade internacional.

"Eram embarcações civis, que levavam civis e bens civis - remédios, cadeiras de rodas, comida, materiais de construção - para os 1,5 milhão de palestinos fechados por Israel. Muitos pagaram com suas vidas. O que Israel faz em Gaza é horrível, nenhum ser humano esclarecido e decente pode dizer algo diferente", apontou Erekat.

O chefe do governo em Gaza do movimento islâmico Hamas, Ismail Haniyeh, qualificou o ataque como "brutal" e convocou um Dia da Ira, ou seja, que os palestinos tomem as ruas em protesto pelas mortes.

Ele pediu à "comunidade internacional, principalmente as Nações Unidas, que ajam o mais rápido possível para proteger os navios e os ativistas e pôr fim ao bloqueio" que Israel mantém sobre Gaza há anos com a cooperação do Egito.

Além disso, pediu a Abbas que suspenda "imediatamente" o diálogo entre israelenses e palestinos com mediação dos Estados Unidos. Representantes da comunidade palestina com cidadania israelense convocaram para amanhã uma manifestação geral.

Fonte: Icarabe

domingo, 23 de maio de 2010

Israel nega entrada de Noam Chomsky na Cisjordânia


No dia 15 de maio, o conhecido linguista, filósofo e ativista político estadunidense Noam Chomsky não pode entrar em Israel para dar uma conferência na universidade palestina de Birzeit , junto a Ramala. Depois de ter sido interrogado por mais de três horas, o acadêmico, que é judeu, teve o seu passaporte carimbado com a frase "entrada recusada". A porta-voz do Ministério do Interior israelense, Sabine Haddad, confirmou que a entrada de Chomsky foi recusada "por várias razões", mas não deu detalhes.

Chomsky é um dos maiores críticos de Israel no mundo acadêmico. Assume-se como socialista libertário e simpatizante do anarquismo, tendo publicado várias análises sobre as relações de conivência entre o poder e os meios de comunicação. Para ele, Israel e os EUA impedem a paz no Oriente Médio por não aceitarem a proposta de acordo da Liga Árabe.

Em março, ele recebeu, na Alemanha, o Prémio Eric Fromm 2010 pelo seu trabalho, convicções políticas e sua posição em defesa dos direitos dos pobres e oprimidos.

França vence a Copa do Mundo de Gaza


Impossibilitados de sair do território devido ao cerco israelense, os amantes da bola na Faixa de Gaza decidiram criar um mundial próprio, a um mês do oficial. Até as seleções são as mesmas

Enquanto os amantes de futebol no mundo inteiro aguardam com ansiedade a próxima Copa, que será realizada a partir de 11 de junho, na África do Sul, os palestinos da Faixa de Gaza decidiram organizar seu próprio “mundial”.

Impossibilitados de deixar o território devido ao cerco israelense, os entusiastas da bola locais formaram – como maneira de protesto e demonstração de amor pelo futebol – um evento similar ao Mundial da FIFA, inclusive com seleções internacionais. Estados Unidos, Itália, França, dentre outras equipes, integradas por palestinos e funcionários de organizações humanitárias, disputaram a sonhada taça entre 3 e 15 de maio. A final a ocorreu no último sábado, com a vitória da França sobre a Jordânia.

Ideia

A Copa do Mundo de Gaza foi uma invenção do norte-americano Patrick McGann e do palestino Ashraf Mohammed Hamad. McGann viajou a Gaza pela primeira vez há um ano, liderando a Jumpstart International, organização não-governamental que constrói escolas e ensina cartografia a estudantes locais. A Jumpstart não atua mais no território, mas o voluntário decidiu permanecer. "O cerco israelense me fez querer ficar," contou ao IPS (Inter Press Service News Agency).

A ideia de realizar o torneio surgiu quando McGann e Hamad, que trabalha na Universidade de Ciências Aplicadas em Gaza, começaram a jogar futebol juntos no campus da escola, atraindo outras pessoas e formando pequenos campeonatos.

"O futebol é muito importante em Gaza e Ashraf me perguntou o que poderíamos fazer para promover algo maior... Nos ocorreu que o futebol poderia se tornar um veículo para a conquista de diversos objetivos, como ajudar os jovens a desenvolverem habilidades para a busca pela paz e a construírem orgulho próprio por meio de suas conquistas, além de reunir as pessoas – estrangeiros e palestinos, palestinos de diferentes opiniões políticas etc."

Mantendo o espírito de diversidade, como também a celebração dos talentos locais, McGann conseguiu apoio tanto de fora – uma judia portorriquenha que trabalha em uma organização criada por McGrann criou o logo usado no Mundial – quanto local, com fundos doados pelo Banco da Palestina, PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e Pepsi Co.

O troféu, criado por Hamad, foi feito a partir dos destroços deixados pela invasão israelense à Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

Com informações dos portais Opera Mundi, UOL e CNN

“Primos”: livro traz histórias da herança árabe e judaica


Com organização de Adriana Armony e Tatiana Salem Levy, publicação reúne contos de autores brasileiros sobre suas ascendências

No dia 25 de maio o livro Primos, organizado pelas escritoras Adriana Armony e Tatiana Salem Levy, será lançado em São Paulo. A obra é uma coletânea que traz contos de escritores brasileiros descendentes de árabes e judeus. São 20 textos em que esses primos de origem dão seus depoimentos sobre sua ascendência. Autores consagrados ou iniciantes, Moacyr Scliar, Alberto Mussa, Cíntia Moscovich, Flávio Izhaki, Carlos Nejar, Fabrício Carpinejar, Julián Fuks e Salim Miguel são apenas alguns deles. Os contos abordam história, memória, alegoria, tradição e ruptura, provando que as duas culturas têm mais afinidades que diferenças.

Adriana Armony e Tatiana Salem Levy já exploraram bem suas raízes judaicas nos romances Judite no país do futuro, de Adriana, e A chave de casa, de Tatiana, este vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2008 na categoria autor estreante. Agora, “a ideia de juntar num livro escritores brasileiros descendentes de árabes e de judeus surgiu quase como uma necessidade”, explicam as escritoras Tatiana Salem Levy e Adriana Armony. Primos de origem, árabes e judeus têm mais afinidades do que diferenças, embora a situação política no Oriente Médio termine por dar ao mundo a impressão de que o ódio entre esses dois povos está na base de suas culturas. Por que brigam tanto, nos perguntamos, se são tão parecidos? E por que exaltar suas desavenças, se os pontos de encontro são tão mais profundos, tão mais antigos?

Árabes e judeus atravessaram os tempos com o livro no centro de suas tradições. E desse amor deriva o apego à narrativa, ao contar e criar histórias, e o desejo das famílias de ambas as culturas de não deixar as origens se desvanecerem. E é por isso que as autoras buscam fazê-los coexistir num livro, assim como já coexistiram fisicamente em diversas regiões, em épocas variadas, e ressaltam a peculiaridade desse pedaço de terra chamado Brasil, onde essas duas comunidades convivem de forma harmoniosa com a diversidade, seja cultural, étnica ou religiosa.

A própria definição de quem são os árabes e quem são os judeus é em si complexa e, por isso mesmo, escorregadia, flexível, abrangente. Trata-se de uma definição étnica? Territorial? Religiosa? Cultural? Para Adriana e Tatiana, árabe ou judeu será aquele que assim se reconhece. Foi este o critério que norteou a escolha dos autores de Primos: Adriana Armony; Alberto Mussa; Alexandre Plosk; Arnaldo Bloch; Bernardo Ajzenberg; Carlos Nejar; Cíntia Moscovich; Eliane Ganem; Fabrício Carpinejar; Flávio Izhaki; Georges Bourdoukan; Julián Fuks; Leandro Sarmatz; Luiz Antonio Aguiar; Márcia Bechara; Moacyr Scliar; Salim Miguel; Samir Yazbek; Tatiana Salem Levy; Whisner Fraga. Desde consagrados até iniciantes, passando pelos novos, mas já bastante conhecidos, os autores desses textos dão seus depoimentos sobre suas origens, agrupados em quatro temas: História, Memória, Alegoria e Tradição e Ruptura

Serviço:
Dia 25 de maio – terça-feira, às 19h.
Livraria da Vila –
Alameda Lorena, 1731 – Jardim Paulista
Tel.: (11) 3062 1063

PRIMOS
Adriana Armony e Tatiana Salem Levy
Grupo Editorial Record/Editora Record
320 páginas
Preço: R$ 44,90
Formato: 14 x 21 cm
ISBN:978-85-010-8896-3
Ficção nacional / Contos / Árabes e judeus

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Grupo pelos direitos humanos condena ameaça de Israel


Um grupo israelense pelos direitos humanos pediu hoje à comunidade internacional que pressione o governo de Israel. O motivo é uma ordem da administração israelense pela qual milhares de palestinos podem ser despejados da Cisjordânia.

"A Quarta Convenção de Genebra impõe uma proibição completa à remoção forçada de civis de suas casas, uma proibição cujo descumprimento é considerado uma grave violação da convenção", afirmou o Centro Hamoked para a Defesa do Indivíduo. "Nós pedimos a todos os Estados signatários da convenção para tomar ação imediata a fim de que ela (ordem militar israelense) seja revogada", diz o grupo em comunicado.

A emenda a uma ordem anterior de Israel amplia a definição de "infiltrados" que poderiam ser expulsos da Cisjordânia. Segundo a alteração, qualquer pessoa "que não tenha uma permissão" pode ser expulsa. O texto não especifica que tipo de documento seria necessário para evitar o despejo.

Sete grupos israelenses pelos direitos humanos já afirmaram anteriormente que o texto era tão vago que "teoricamente, permitia aos militares esvaziar a Cisjordânia de quase todos seus moradores palestinos".

Os palestinos querem a Cisjordânia e a Faixa de Gaza como partes de seu futuro Estado independente. Além disso, exigem Jerusalém Oriental como a capital desse futuro Estado. No entanto, as negociações com os israelenses estão em um impasse. As informações são da Dow Jones.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Documentário "Budrus" está no 15° Festival É tudo verdade


O Festival É tudo Verdade, que ocorre nesta semana, em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ) exibirá o longa-metragem "Budrus", vencedor do Prêmio do Público, Segundo Lugar, no Festival Internacional de Berlim.

Dirigido por Julia Bacha, trata de um vilarejo na fronteira entre a Cisjordânia e Israel, que ocupou as manchetes em 2003, quando foi palco de um inusitado protesto não-violento. O motivo foi o anúncio da construção de um muro pelos israelenses que destruiria oliveiras histórica e economicamente importantes. À frente do movimento estava Ayed Morrar, cuja liderança comunitária e pacifista uniu em torno da causa facções palestinas rivais, como a Fatah e o Hamas, e judeus progressistas. Também importante para a mobilização foi Iltezam, a filha de Morrar, que conseguiu uma adesão maciça de mulheres. Ouvindo todos os lados envolvidos, a diretora brasileira de origem libanesa, Julia Bacha, monta um amplo painel de uma situação explosiva no Oriente Médio que encontrou solução por via pacífica.

Datas e horários:
15/04 - 19H00M: CCBB SP (São Paulo - SP)

17/04 - 13H00M: CCBB SP (São Paulo - SP)

A entrada é franca para todas as sessões.

Para assistir ao trailer e ler artigos sobre o filme, visite: http://www.justvision.org/en/budrus

Para mais informações, visite o site do festival:
http://www.itsalltrue.com.br/2010/busca/detalhes.asp?id=11040&lng

sexta-feira, 12 de março de 2010

Refugiados X Cáritas e Acnur


A vida dos refugiados no Brasil não é só alegria por voltarem a ter um lar de verdade, longe dos bombardeios e perseguição política e racial.Alguns refugiados, mesmo chegando a quase dois anos de residência brasileira, não conseguiram se adaptar e inclusive alegam falta de assistência da Cáritas e do Alto Comissariado das Nações Unidas, responsável pelo Programa de Reassentamento.

O Acnur repassa uma verba para que a Cáritas possa administrar educação, moradia, alimentação e assistência médica para os refugiados.Muitos ainda não falam o idioma porque não puderam freqüentar as aulas, pois precisavam trabalhar para complementar a ajuda financeira cedida pelo Programa. Inclusive a falta de emprego é uma das reclamações. Segundo alguns refugiados, foram prometidos empregos assim que chegassem ao Brasil. O que não foi cumprido, pois muitos deles continuam desempregados.

Issam Ali é um exemplo disso. Ele é solteiro e está no momento sem trabalho. Prestes a se casar, teme o futuro após o fim do Programa. Para a cultura muçulmana, a futura esposa só precisa ir para o novo lar com a roupa do corpo e o marido é o principal responsável por trazer o dinheiro para dentro de casa. Sendo assim, para ele, além de ser uma necessidade, é uma condição cultural. “Eu também preciso de ajuda porque eu fiquei aqui sozinho, não tenho família”, diz Issam.

Hossam Khalil, de 37 anos, já vive um dilema diferente. Sofre com a incerteza de saber como está seu filho Aeihm, de 9 anos, que mora na Faixa de Gaza. Desde sua vinda para o Brasil, ele cobra uma resposta do Acnur para o pedido de transferência do menino para cá. Ele diz que o órgão está estudando a proposta, mas nunca dá uma resposta definitiva mesmo depois de quase dois anos. Acusa os responsáveis da Cáritas e Acnur de negligência e desrespeito aos refugiados.

“Quero que Javier [Javier Cifuentes, representante do Acnur no Brasil] veja que meu filho está morrendo em sua frente e ele está olhando, mas não faz nada por mim. Quero que ele sinta o que estou sentindo para ver o que passo”, relata Hossam com indignação.Ele não fala bem o português e diz não conseguir se adaptar completamente, porque não esquece a ausência do filho.

Em resposta, o ACNUR, por meio de seu oficial de informação Luiz Fernando Godinho diz que o caso em questão está sendo estudado desde a sua solicitação. Além do escritório no Brasil, estão envolvidos outras sedes do ACNUR em países árabes e também o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para solução do caso.

Em uma situação mais tensa se encontram cerca de 20 refugiados que desde maio de 2008 estavam acampados em frente ao escritório do ACNUR, em Brasília. O grupo reivindicava respeito e atendimento médico adequado custeado pelo órgão para poder sair do Brasil.

Já o ACNUR nega que houve descaso e diz que o processo de adaptação é lento e difícil, mas que, até o final do programa, todos os refugiados estarão integrados e que os problemas de atendimento na rede pública de saúde ou educação são decorrentes da própria situação do País, e não do órgão da ONU ou de seus parceiros.

Segundo Ahmad Uzgani, representante da Frente Independente de Autonomia aos Refugiados, muita gente pensa sobre o acampamento em Brasília como algo que não deveria estar ocorrendo, é uma expressão de ingratidão com o povo que os acolheu, porém só eles mesmos entendem a reinvidicação por estarem sofrendo.Ele listou alguns problemas ocorridos: pessoas idosas e com doenças pré-existentes não foram levadas à um check-up, o auxílio subsistência era menor do que o valor do salário mínimo vigente, não houve encaminhamento para possíveis empregos daqueles que podiam trabalhar.

O gestor do programa de refugiados das Cáritas, Antenor Rovida, diz nunca ter faltado assistência médica aos refugiados e que as consultas eram marcadas, porém eles não apareciam. Diz ainda esta ser a primeira vez que eles estão tendo problema no programa e que a intenção não é fazer caridade e sim dar condições iniciais para eles poderem caminhar sozinhos.

Em maio, por uma determinação judicial, o grupo de acampados teve que ser retirado do local e hoje esta vivendo em casas de amigos ainda em Brasilia, esperando uma reunião com o Itamaraty, embaixada da Palestina e ACNUR.

Segundo a psicóloga Carmen Santana, especialista em migrações e refugio, os imigrantes encontram uma série de dificuldades após a chegada em uma nova sociedade como problemas com o idioma, diferenças culturais e econômicas.

Mogi das Cruzes recebe 57 refugiados palestinos


A cidade de Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo foi escolhida para receber 57 refugiados palestinos do grupo que chegou ao Brasil. O Acnur delegou à Cáritas Brasileira de São Paulo (ONG parceira), a responsabilidade de inserir o grupo na cidade, oferecendo moradia, assistência médica e educação básica.

Mogi das Cruzes foi escolhida por ser uma cidade com grande número de moradores de origem árabe e por ter uma mesquita. Aliás, é por intermédio do sheik Hosni que os refugiados “driblam” as dificuldades que encontram para se comunicar com os comerciantes locais.

“Um dia um senhor deles foi ao banco e ele não sabia como mexer no caixa eletrônico, então o funcionário que me conhece e sabe meu telefone me ligou e pediu ajuda. Por telefone resolvemos. Da minha parte eu estou ajudando mil por cento”, relata o sheik Hosni.

E a cidade parece ter aberto os braços para recebê-los de fato. No começo do ano houve um sarau especial em homenagem a eles, onde foi discutida a questão palestina, poesias e apresentações musicais com a participação dos novos moradores da cidade. E no dia 1º de Maio, outro sarau foi feito e desta vez pudemos ver esta inclusão cultural.

No evento, estavam presentes grupos de refugiados, degustação de comida árabe e novamente expressões artísticas, além da decoração nos tons vermelho, branco, verde e preto (cores da bandeira palestina).

Até mesmo a política pública da cidade precisou se adaptar. As guardas civis e militares receberam treinamento de como orientar e lidar com os novos moradores.
Tivemos o primeiro contato com uma das personagens desta reportagem em um típico dia chuvoso da terra da garoa. Hudá Al-Tamini vive com seu marido e dois filhos na cidade de Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo. Poderiam ser uma família árabe como qualquer outra, porém há um grande diferencial: eles trazem em seus passaportes, as conseqüências de uma guerra histórica e sem previsão para acabar, tampouco a certeza de um final feliz.

Ao nos atender, ela fez uma expressão como se fosse dizer: reportagem outra vez? Essa expressão tem motivo: Hudá por ser um dos poucos adultos a falar português fluente, frequentemente é chamada para dar entrevistas. Seu marido Wallid, ainda não conseguiu aprender o idioma, porém os filhos Hussein e Marmud estão totalmente inseridos na cultura brasileira falando bem o português e fãs do futebol.

Sobre sua adaptação no Brasil, ela disse não achar os costumes do país tão diferentes dos países árabes e que é muito bom ter um lar de novo e saber que seus filhos podem brincar na rua sem mísseis sobrevoando suas cabeças. Perguntado sobre o que eles mais gostaram no Brasil, Wallid foi categórico e respondeu: a liberdade!Eles estão construindo uma Lan House, Wallid é técnico de informática, na casa onde vivem para se tornar a principal fonte de renda após o fim do Programa de Reassentamento.

Outro palestino que parece não ter encontrado grandes dificuldades em se adaptar é Mohamad Abosaif, de 25 anos, que já fala português e participa dos eventos festivos da cidade como: aulas de maracatu e samba.Ele mora com os pais e irmãos e a família possui uma oficina de costura. Porém é no futebol que Mohamad vê uma carreira promissora.

Atualmente, participa de um período de testes em um time mineiro e ficará longe de casa por pelo menos 3 meses até que saia o resultado final.Apesar da esperança, ele está preparado caso o resultado não seja o esperado, vai voltar a trabalhar em sua oficina e seguir a vida de microempresário.

Refugiados palestinos: 60 anos de sofrimento longe de casa


Por Juliane Almeida

Segundo a Convenção de 1951, refugiado é toda pessoa que perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade e tem seus direitos violados, é obrigada a deixar seu país de origem para buscar refúgio em outro país. O termo refugiado também vem sendo associado pessoa ou grupos que deixam seu país forçados e buscam segurança ou perspectivas de vida e sobrevivência.

O drama dos refugiados palestinos é visto como uma das tragédias humanas do mundo contemporâneo e tem sua origem após a Partilha da Palestina proposta pelas Organizações das Nações Unidas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes judeus na Palestina aumentou drasticamente por conta das perseguições nazistas na Europa.Até esta época, a Palestina era um território sob a responsabilidade da Grã-Bretanha.Em 1948, o governo britânico desistiu de supervisionar a área e deixou para a ONU a decisão sobre o que fazer com a região. Naquela época, a população total da Palestina era de 2 milhões de habitantes divididos em 600.000 pessoas de origem judaica e o restante de origem árabe.

Foi então que a ONU propôs a partilha da Palestina em um Estado judeu e outro árabe, ficando a área de Jerusalém administrada por um órgão internacional. A decisão foi tomada baseada no modelo aplicado anteriormente com a Índia e o Paquistão.
Teoricamente, a idéia em se criar duas nações distintas parecia justa. Porém a divisão não.

A proposta da partilha propunha a divisão do território em: 56,5% para os judeus e 43,5 % para os árabes, o que também não respeitou a proporção populacional de 32% de judeus para 68% de palestinos.Esta partilha não foi aceita pela Liga Árabe (coalizão formada por Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Síria, Arábia Saudita e Iêmen), dando início a um conflito sangrento, onde o Estado israelense saiu vitorioso. Esta vitoria permitiu que Israel ampliasse seu território, incorporando toda a antiga Galiléia e outras áreas.

Quando o conflito iniciou, viviam na Palestina cerca de 1,4 milhão de palestinos e ao final, em 1949, pouco mais da metade deste número deixou suas casas.Os refugiados deixaram para trás casas, trabalho, contas em bancos, fazendas. Israel usou os terrenos desalojados para abrigar novos imigrantes judeus, incluindo judeus vindos da Europa, sobreviventes do holocausto. Entre 1948 e 1953 foram criadas 345 novas cidades judaicas. Alguns vilarejos receberam nomes hebraicos, mesquitas foram transformadas em restaurantes, móveis vendidos. Parte de uma estratégia para apagar qualquer característica que indicasse que ali viviam palestinos.

Em 1967, houve outro grande êxodo de Palestinos, durante a Guerra dos Seis Dias. Israel conquista a Faixa de Gaza e a Cisjordânia o que levou quase 400.000 palestinos a fugir para a Jordânia.O resultado desses conflitos: 60 campos de refugiados espalhados pela Jordânia, Cisjordânia, Líbano, Faixa de Gaza, Iraque e Síria.

Hoje, os refugiados palestinos são estimados em aproximadamente 8 milhões de pessoas, representando a maior e mais antiga população de desalojados do planeta.
Entre setembro e outubro de 2007, o Brasil recebeu cerca de 107 refugiados palestinos vindos de um campo na fronteira entre a Jordânia e o Iraque.

O campo de Rweished foi desativado logo após a retirada destes últimos refugiados. A vinda deles foi possível pela intervenção da ONU, pelo Programa de Reassentamento Solidário da Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). O campo abrigava os palestinos que já viviam refugiados no Iraque sob a proteção de Saddam Hussein, porém tiveram que se retirar quando ele foi morto em 2003. Desde esta época, eles viviam em tendas no deserto, cercados pelo exército jordaniano. Não podiam receber visitas, a alimentação por muitas vezes chegava estragada e não havia condições básicas de sobrevivência. Muito deles chegaram ao Brasil doentes e necessitando de assistência médica.

No Brasil este grupo ficou dividido entre Porto Alegre, Pelotas, Venâncio Aires e Santa Maria (RS), Dois Vizinhos (PR) e Mogi Das Cruzes em São Paulo.
O Programa de Reassentamento Solidário é implementado pelo governo do
Brasil, com o apoio da comunidade internacional, por meio do ACNUR e da
sociedade civil. Atualmente, cerca de 400 refugiados são beneficiados
pelo programa.

Com recursos dos doadores internacionais, o ACNUR contrata ONGs e outras
instituições para prestar assistências aos refugiados. No caso dos
palestinos, eles receberam, desde que chegaram, assistência financeira,
casa alugada e mobiliada, aulas de português, assistência social e
acompanhamento médico.

O programa de Reassentamento Solidário da Acnur tem a duração de 2 anos e conta com a parceria entre o Governo Federal, representado pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) e organizações não governamentais.

Refugiado luta para trazer filho da Faixa de Gaza


Entre os muitos dramas dos refugiados, um se destaca.Rossam Kalil luta todos os dias para trazer seu filho de nove anos que está na Faixa de Gaza.

Segundo ele foi prometido pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados que assim que chegasse ao país seu filho viria em seguida.Mas já se passou um ano e nove meses, e nada da criança chegar

Em entrevista exclusiva, ele fala do desespero que sente toda vez que acontece algum atentado em Gaza e manda um recado para o presidente do ACNUR, Ravier Cifuentes.

"Só tem uma coisa que quero dizer a Ravier, quero que ele veja que meu filho está morrendo na frente dele, ele está olhando e não faz nada.Quero que ele saiba o que estou sentindo, para sentir o que estou passando."

Em nota a ACNUR respondeu que este caso está sendo analisado junto com outros órgãos internacionais.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Brasil recebe refugiados palestinos


Entre setembro e outubro de 2007, o Brasil recebeu cerca de 107 refugiados palestinos vindos do campo de Rweished, na fronteira entre a Jordânia e o Iraque.

Por Juliane Almeida

A vinda do grupo foi possível com o Programa de Reassentamento Solidário do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). O campo abrigava os palestinos que já viviam refugiados no Iraque sob a proteção de Saddam Hussein, porém tiveram que se retirar quando ele foi morto em 2003. Desde esta época, eles viviam em tendas no deserto, cercados pelo exército jordaniano.

O Programa é implementado pelo governo do Brasil, com o apoio da comunidade internacional, por meio do ACNUR e da sociedade civil. Atualmente, cerca de 400 refugiados são beneficiados.
Com recursos dos doadores internacionais, o ACNUR contrata ONGs para prestar assistências aos refugiados. Os refugiados recebem assistência financeira, moradia, assistência social e acompanhamento médico.

O programa de Reassentamento Solidário do Acnur com duração de 2 anos, ainda conta com o apoio do Governo Federal, representado pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE).
No Brasil este grupo ficou dividido entre as regiões Sul e Sudeste. A cidade de Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo foi escolhida para receber 57 refugiados palestinos do grupo que chegou ao país.

O Acnur delegou à Cáritas Brasileira de São Paulo, a responsabilidade de inserir o grupo na cidade.
Mogi das Cruzes foi escolhida por ser uma cidade com grande número de moradores de origem árabe e por ter uma mesquita. Aliás, é por intermédio do sheik Hosni que os refugiados “driblam” as dificuldades que encontram para se comunicar com os comerciantes locais.

Refugiados palestinos temem futuro no Brasil


Mesmo morando há quase dois anos no país, alguns refugiados continuam desempregados e não sabem o que vão fazer após o fim do Programa de Reassentamento do Alto Comissariado das Nações Unidas.

Por Juliane Almeida

A vida dos refugiados no Brasil não é só alegria por voltarem a ter um lar de verdade, longe dos bombardeios e perseguição política e racial.
O programa de Reassentamento Solidário da Acnur tem a duração de 2 anos para inserir os refugiados na sociedade e nas políticas públicas do país. O programa conta com a parceria entre o Governo Federal, representado pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) e organizações não governamentais.

Alguns refugiados, mesmo com quase dois anos de residência brasileira, não conseguiram se adaptar. Não falam o idioma porque não puderam freqüentar as aulas, pois precisavam trabalhar para complementar a ajuda financeira cedida pelo Programa. Segundo alguns refugiados, foram prometidos empregos assim que chegassem ao Brasil, porém o trato não foi cumprido.

Prestes a se casar, Issam Ali é um exemplo disso. Para a cultura muçulmana, a futura esposa só precisa ir para o novo lar com a roupa do corpo e o marido é o principal responsável por trazer o dinheiro para dentro de casa. Sendo assim, para ele, além de ser uma necessidade, é uma condição cultural. “Eu também preciso de ajuda porque eu fiquei aqui sozinho, não tenho família”, diz Issam.

Após o fim do Programa, o refugiado terá que arcar sozinho com suas despesas e pagamento de aluguel. Luiz Fernando Godinho, oficial de informação do Acnur diz que o programa não tem caráter assistencialista e procura criar condições para que os refugiados se tornem auto-sustentáveis e possam se integrar. Para os casos mais vulneráveis há a possibilidade de continuar prestando a assistência.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Sonhando com o retorno ao lar


Por:Soraya Misleh*

Em visita a um grupo de refugiados palestinos que vieram do Iraque nos últimos meses de 2007, recém-chegados ao Brasil após permanecerem quase cinco anos morando em tendas no meio do deserto, a expressão árabe “Sanaud” (“Nós voltaremos”) revelou a esperança, o sonho. Mais de dezoito meses se passaram desde então e o direito ao retorno ao seu pedaço de chão, reivindicado há décadas, continua a ser negado. O grupo em questão inclui vários palestinos expulsos de sua terra natal há 61 anos e outros tantos descendentes desses. Não chega a 2% do número desses refugiados no mundo: são 117 homens, mulheres e crianças, de diversas idades, que deixaram o campo de Ruweished na fronteira da Jordânia rumo ao Brasil e engrossam a estatística de 8 milhões de deslocados em função da ocupação sionista iniciada ainda antes de 1948 – quando foi fundado o Estado de Israel, em 15 de maio, mediante a expulsão de 800 mil árabes de suas casas. Para os palestinos, começava a nakba (catástrofe), uma das maiores injustiças do mundo contemporâneo, ainda sem reparação.
No mesmo ano, em 11 de dezembro, foi reconhecido pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), através da Resolução 194, o direito ao retorno dos palestinos e restituição de suas propriedades. Esse direito elementar – presente no artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ironicamente aprovada em 1948 – vem desde então sendo reiterado pela comunidade internacional de tempos em tempos. Já o foi pelo menos 130 vezes pela ONU.

Não obstante, continua a produção desses excluídos, que compõem a maior e mais antiga população deslocada do globo. No recente massacre perpetrado pelo exército de Israel em Gaza, um gueto em que se amontoam em pouco mais de 300km2 1,5 milhão de palestinos – a esmagadora maioria deslocada de suas aldeias destruídas em 1948 ou descendente dos que se tornaram sem lugar de um dia para o outro –, nova leva engrossou as estatísticas. Conforme informou o palestino Jamal Juma, ativista da ONG Stop the Wall, durante conversa com jornalistas no Fórum Social Mundial 2009, como resultado das três semanas de intensos ataques entre dezembro de 2009 e janeiro deste ano, naquela pequena faixa foram destruídas 44 mil casas e “serão necessários 20 anos para a reconstrução”. Ele concluiu: “Setenta mil famílias viverão em barracas por pelo menos dez anos.” Segundo divulga a agência das Nações Unidas para refugiados palestinos, a UNRWA (The United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East), em Gaza encontram-se oito dos seus 58 campos de refugiados oficiais, em que se reúnem cerca de 495 mil de 1,3 milhão registrados morando nessas condições na região (incluindo Cisjordânia, Jordânia, Síria e Líbano).

Dos 8 milhões espalhados pelo mundo, aproximadamente 4,6 milhões estão inscritos nesse órgão. Contribui para a manutenção e elevação dessa trágica estatística a estratégia deliberada de tornar a vida dos palestinos insustentável, para que abandonem suas casas. Dentro dessa lógica, são submetidos diariamente a punições, humilhações e privações.

Expulsão e negação
Os refugiados são resultado do conjunto de iniciativas sionistas para esvaziar o território e expandir a ocupação. Um deles vivia em Cacún, uma pequena aldeia palestina de 2 mil habitantes próxima de Tulkarm (na Cisjordânia). Esta foi uma das 500 vilas destruídas em 1948, cujas famílias foram forçadas a deixar suas casas às pressas. Aos 13 anos, ele viu sua casa, a terra, as árvores, tudo sumir diante de tratores impiedosos. Vivendo no Brasil desde 1956, aos 74 anos ele sonha com a Palestina cheia de poesia e beleza de sua infância. Aquela que a ocupação sionista, com seus muros cinzentos de concreto e postos de controle, esconde e tenta apagar, sem sucesso, da memória coletiva.

A negação do direito legítimo ao retorno por parte de Israel talvez tenha a ver com essa busca, uma vez que não há argumento plausível para essa recusa. Em artigo de sua autoria intitulado “Os últimos dos excluídos” (Revista Caros Amigos, especial Oriente Médio, maio de 2009), a historiadora Arlene Clemesha destaca que “grande parte das terras das aldeias esvaziadas em 1947-49 continua vazia”. É o caso de Cacún, hoje um “parque ecológico”, onde estão as raízes desse senhor de 74 anos: meu pai. E de sua família.

Soraya Misleh* jornalista, diretora de imprensa do Instituto da Cultura Árabe e secretária de comunicação do Movimento Palestina para Tod@s

terça-feira, 2 de março de 2010

Albert Einstein: o homem e o mito


Einstein é conhecido por pessoas no mundo inteiro, independentemente do país, raça ou religião pela teoria da relatividade e sua contribuição à teoria quântica, causando um mudança brusca nos estudos da matéria e terminando o ciclo newtoniano na física. Foi considerado por diversas vezes o maior cientista do século XX.

Mas nem só de física viveu Albert Einstein, que se engajou em causas políticas e sociais. Era judeu e apesar de apoiar a criação do Estado de Israel, esteve contra alguns acontecimentos que levaram ao seu nascimento. Por ser internacionalista e pacifista acreditava que Israel deveria acolher palestinos e judeus. Fez parte do conselho da Universidade Hebraica de Jerusalém, onde podemos encontrar todo seu acervo literário e papéis pessoais.

Por: Luma Jatobá

Nome: Albert Einstein
Data de Nascimento: 14/03/1879
Nacionalidade: Alemão, da cidade de Ulm
Frase: "O nacionalismo é uma doença infantil; é o sarampo da humanidade"
O lado humano: foi casado, teve três filhos, sendo eles: Hans Albert, Eduard e Lieserl, primeira filha cujo destino é desconhecido, ficou viúvo dos 57 anos até sua morte em 18 de abril de 1955


"Penso que seria muito mais razoável a concórdia com os árabes e a coexistência pacifica com eles do que a criação de um estado judaico. Além de considerações de ordem prática, a minha noção da natureza do judaísmo opõe-se à criação de um estado judaico, com fronteiras, exército, e a construção de um poder temporal, mesmo que modesto. Receio os prejuízos interiores que isso vai provocar no judaísmo…"

"O ser humano vivência a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior"

"A personalidade criadora deve pensar e julgar por si mesma, porque o progresso moral da sociedade depende exclusivamente da sua independência"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Editorial Revista Perspectiva Oriente Médio


Olá,

Estive pensando em uma forma de passar a você leitor as experiências que a equipe do Perspectiva tiveram enquanto produziam esta linda revista, confesso que foi muito difícil mas talvez este tenha sido o motivo que deu mais ânimo a nossos repórteres: o desafio. Passamos dias e noites em centros culturais árabes ou judaicos, em exposições, cursos, mesquitas, sarais, escolas de dança, lojas, mercados, assistindo filmes e indo a restaurantes para apresentar à você um pouco da cultura dos 17 países do Oriente Médio.

Durante esta edição o que mais marcou para nós foi conhecer a história de nossos "irmãos" palestinos, ver de perto uma realidade que parece tão distante mas que na verdade é muito mais próxima do que imaginamos. Ouvir o drama de famílias que perderam seus entes queridos, que viveram anos em condições precárias no meio do deserto e saber que hoje eles tem a oportunidade de começar uma nova vida aqui no Brasil. Saber das dificuldades encontradas na adaptação, das promessas não cumpridas e que este sonho talvez não acabe igual para todos foi o que tirou o sono de muitos de nós, aprendemos coisas que com nenhum livro teriamos conseguido.

A todos que fizeram desta revista um sonho possível, fica um muito obrigado, e para você leitor desejamos uma boa viagem ao Oriente Médio através destas páginas.

Luma Jatobá
Editora

Abertura Programa Perspectiva Oriente

Arte como crítica social


A equipe do Perspectiva Oriente entrevistou Carlos Latuff, cartunista brasileiro, reconhecido mundialmente por suas charges carregadas de crítica social. Tanta polêmica e criatividade trouxeram ao artista alguns inimigos: já foi preso para averiguação após representar em seus desenhos a violência e corrupção policial, já foi supervisionado pelo Pentágono e ameaçado virtualmente pelo partido israelense Likud.
A causa Palestina sempre está presente em seus trabalhos. Aliás, a ilustração de nossa capa foi gentilmente cedida por ele.
Ativista artístico, anticapitalista, trabalha na imprensa sindical e não dá bola para a grande imprensa.

Por: Juliane Almeida

Perspectiva- Latuff, quando você começou a desenhar e quando percebeu que seria essa sua profissão?
Latuff- Desde criança. Mas meus pais nunca acreditaram que eu pudesse viver do meu trabalho, já que pra ser artista é preciso QI (Quem Indica) e a gente não tinha parentes ou amigos influentes. Mas acabou rolando, por uma conjunção de fatores, basicamente sorte e esforço pessoal. Quem abriu as portas pra mim foi a imprensa sindical, para qual trabalho até hoje com muito orgulho.

Perspectiva- A crítica social sempre esteve presente em seus trabalhos? Por que escolheu esta vertente?

Latuff- Foi o caminho natural de alguém que nunca lidou muito bem com a autoridade, seja em casa ou fora dela. Da rebeldia juvenil até a indignação adulta, passei a perceber que a charge poderia cumprir um papel importante como denúncia e apoio às lutas sociais e políticas.


Perspectiva- A Palestina é um dos ou o principal tema apresentado em seus trabalhos. Qual a sua relação com eles para que haja esta identificação?

Latuff- Uma viagem que fiz aos territórios ocupados no final de 1998, a convite da ONG Palestinian Center for Peace and Democracy, me colocou a par de como o povo palestino vive sob Reich israelense. Impossível não abraçar a causa depois de conhecer gente comum vítima cotidiana da violência de colonos e soldados israelenses. Como foi o caso do senhor Adris, que guardava em sua carteira os dentes que lhe foram quebrados a golpe de coronha de fuzil, e cuja filha tinha cicatrizes de queimaduras pelo corpo, resultado do ataque de colonos judeus que atiraram coquetéis molotov pela janela de sua casa. Mais do que uma questão humanitária, eu tenho verdadeiro amor pelos palestinos.



Perspectiva- Você já teve problemas com a polícia após criticar a violência policial e foi supervisionado até pelo Pentágono. Você costuma receber represálias?

Latuff- Represálias não são tão comuns, mas por três vezes na vida tive de comparecer a delegacias por fazer desenhos sobre a violência e corrupção policiais no Rio de Janeiro. A polícia é assunto tabu no Brasil. Você pode ser morto por denunciá-la. Meus sites são visitados constantemente por organismos de segurança pelo mundo, por conta de meu apoio público aos palestinos e iraquianos.


Perspectiva- Acha que a arte é uma ferramenta para uma transformação social? Sua arte tem este objetivo de mudança?

Latuff- Penso que a arte pode converter horas de discurso político numa única imagem. É a maneira mais rápida de atingir consciências. Espero que
meu trabalho seja útil para as pessoas como a munição é para o guerrilheiro.


Perspectiva- Com o novo governo dos EUA você acha que terá alguma mudança positiva em relação ao Oriente Médio?

Latuff- Acho que a melhor resposta pra isso é a charge ao lado.


Perspectiva - Acredita que a criação de dois Estados é a melhor solução para o conflito Israel X Palestina?

Latuff - Não creio que Israel deseje qualquer solução. O governo israelense ganha mais com o sofrimento dos palestinos. Enquanto houver território ocupado, haverá o conceito de inimigo externo que justifica os bilhões de dólares que Washington envia para o regime de Tel-Aviv todos os anos. A solução virá, certamente, mas não será por obra e graça dos israelenses. Israel tem as armas, mas os palestinos tem o tempo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Oriente Médio: conflito religioso ou político?


Lejeune Mirhan *

No final do século 19, surge um movimento político forte, que defendia abertamente que os judeus tivessem um lar nacional, uma terra onde pudessem viver em paz, com os seus, falar a sua língua, pois eles viveram espalhados pelo mundo, em guetos como na Alemanha e na Polônia. Foram segregados. Sonhavam com a volta para uma terra que um dia viveram no passado.

Foi assim que, num Congresso Sionista Judaico, realizado em 1897 na Basiléia, Suíça, essas ideias tomaram corpo e passaram a ser implementadas. O grande líder dessa corrente de pensamento foi Theodor Herzl que defendia ardorosamente o Lar Nacional Judaico. Chegou-se a discutir onde esse lar pudesse ser instalado em nossa Amazônia, assim como na Argentina ou Uganda na África. Mas chegou-se a conclusão, por ampla maioria, que somente uma terra teria a força, com base na religião, de atrair um povo ou parte dele, que era a Palestina, onde os ancestrais dos atuais judeus de fato viveram por um tempo.

Ora, o que é essa proposta senão um projeto colonial? É o chamado nacionalismo judaico. É certo que uma parte dos primeiros colonos que emigraram para a Palestina, nas primeiras décadas do século 20 eram socialistas e tinham influência marxista. Suas ideias de montar os Kibutzim, que são espécie de fazendas coletivas, tinham como base a coletivização de toda a produção. Tal projeto sensibilizou, inclusive, alguns líderes comunistas e revolucionários em determinada época, que acabaram por apoiar a criação de Israel em 1947.

A migração judaica foi intensa e incentivada pelas grandes potências que tinham todo o interesse em criar um enclave seu em meio a um vasto território habitado por árabes e, desde o começo do século XX, já haviam sido confirmadas as grandes jazidas petrolíferas na região. Isso motiva o redesenho do mapa na região. Países foram artificialmente criados, como o Kuwait, atendendo única e exclusivamente aos interesses coloniais.

Aos palestinos, que viviam sob a ocupação britânica (de 1922 a 1948), restou sempre a luta. Contra o colonizador inglês, contra o novo colonizador, que eram os nacionalistas judeus que buscavam suas terras. Algumas delas foram, é verdade, compradas em ouro, em moedas aceitas na região, em libra esterlina, a moeda do comércio internacional da época. Mas, em sua grande maioria, essas terras foram expropriadas, tomadas à força e seu legítimo dono foi expulso.

Essa expulsão vai ficar mais explícita mesmo em 15 de maio de 1948, quando da proclamação por Ben Gurion, do Estado judaico, autorizado a ser criado pelas Nações Unidas em 29 de novembro do ano anterior. Esse dia é conhecido como Al Nakba (que em árabe quer dizer o Dia da Desgraça). Estima-se que pelo menos dois milhões de palestinos foram expulsos de suas terras (hoje são quatro milhões que ainda vivem fora da Palestina e que lhes é negado o direito ao retorno, diferente da Lei do retorno, que garante, automaticamente a todo judeu vivendo em qualquer parte do mundo a sua volta à Palestina, hoje Israel).

Assim, meus caros leitores, não acreditem que o conflito é religioso. Podemos dizer que ele tem componentes religiosos, mas é essencialmente político, de luta pela terra, enfim, um projeto colonial, imperialista. Por isso estamos com os árabes e palestinos.


*Lejeune Mirhan é Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo Sociólogo, Escritor, Arabista e Professor, Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa, Membro da International Sociological Association, Colunista do Portal Vermelho sobre Oriente Médio e Colunista da Revista "Sociologia" - Editora Escala

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Revista Perspectiva Oriente ganha prêmio de melhor produto impresso 2009


É com muita felicidade que anunciamos que a equipe Perspectiva recebeu seu primeiro prêmio na última segunda-feira, seus integrantes são uma fusão do Vez e Voz com mais pessoas e foi este ingrediente que deu tão certo.

Em breve teremos nosso proprio site e você poderá conferir as novidades do Oriente Médio com o toque paulistano.