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quinta-feira, 1 de abril de 2010

46 anos da ditadura militar: lembrar é resistir



"A essência da imprensa livre é a essência característica, razoável e ética da liberdade. O caráter de uma imprensa censurada é a falta de caráter da não-liberdade"
Karl Marx


Hoje ironicamente comemoramos o dia da mentira e também relembramos um dos capítulos mais sombrios da história de nosso país, a ditadura militar (1964-1985). Foram 21 anos de dor, sofrimento, mortes, censura, manifestações, resistência, prisões, grupos armados, guerrilhas urbanas e rurais, jornais alternativos, canções de protesto, desaparecimento de pessoas, torturas entre outras coisas. Aproveito o dia de hoje, 1° de abril de 2010, para não só postar alguns posicionamentos da imprensa durante o regime mas para manter vivo na cabeça das pessoas tudo que representou estes anos.

Para quem ainda não conhece um lugar muito interessante é o Memorial da Resistência, lá podemos encontrar algumas celas do dops reconstituídas com a ajuda de ex-presos políticos, documentos, videos, depoimentos, exposições e por vezes palestras.Vale a pena conferir!

Serviço:
Largo General Osório, 66 – Luz
São Paulo – SP
Telefone: 55 11 3335.4990, ramal 27
Entrada gratuita de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30

Brasil mostra a tua cara: 46 anos da ditadura militar


Dois editoriais merecem destaque são eles: “Basta!”, 31/3/1964, do jornal Correio da Manhã

Até que ponto o Presidente da República abusará da paciência da Nação? Até que ponto pretende tomar para si, por meio de decretos-lei, a função do Poder Legislativo? Até que ponto contribuirá para preservar o clima de intranqüilidade e insegurança que se verifica presentemente, na classe produtora? Até quando deseja levar ao desespero, por meio da inflação e do aumento do custo de vida, a classe média e a classe operária? Até que ponto quer desagregar as Forças Armadas por meio da indisciplina que se torna cada vez mais incontrolável?

Não é possível continuar neste caos em todos os sentidos e em todos os setores. Tanto no lado administrativo como no lado econômico e financeiro.
Basta de farsa. Basta da guerra psicológica que o próprio Governo desencadeou com o objetivo de convulsionar o País e levar avante a sua política continuísta. Basta de demagogia, para que, realmente, se possam fazer as reformas de base.
Quase todas as medidas tomadas pelo Sr. João Goulart, nestes últimos tempos, com grande estardalhaço, mas inexeqüíveis, não têm outra finalidade senão a de enganar a boa-fé do povo, que, aliás, não se enganará.

Não é tolerável esta situação calamitosa provocada artificialmente pelo Governo, que estabeleceu a desordem generalizada, desordem esta que cresce em ritmo acelerado e ameaça sufocar todas as forças vivas do país.
Não contente de intranqüilizar o campo, com o decreto da Supra, agitando igualmente os proprietários e os camponeses, de desvirtuar a finalidade dos sindicatos, cuja missão é a das reivindicações de classe, agora estende a sua ação deformadora às Forças Armadas, destruindo de cima a baixo a hierarquia e a disciplina, o que põe em perigo o regime e a segurança nacional

e, “Fora”, 1°/4/1964

“Art. 83. Parágrafo único. O Presidente da República prestará, no ato da posse, este compromisso: "Prometo manter, defender e cumprir a Constituição da República, observar as suas leis, promover o bem geral do Brasil, sustentar-lhe a união, a integridade e a independência".

Este foi o juramento prestado pelo Sr. João Goulart no dia 7 de setembro de 1961, perante o Congresso Nacional.
Jurou e não cumpriu.
Não é mais Presidente da República.
Fora!

A Nação não mais suporta a permanência do Sr. João Goulart à frente do Governo. Chegou ao limite final a capacidade de tolerá-lo por mais tempo. Não resta outra saída ao Sr. João Goulart senão a de entregar o Governo ao seu legítimo sucessor. Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: saia.

46 anos da ditadura militar: investigando a grande imprensa


Algumas manchetes, editoriais e trechos de matérias da época contribuem para o entendimento da posição dos meios de comunicação naquele momento:

[...] A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento.” (O Dia – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)


[...] Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu.” (Tribuna da Imprensa – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)


[...] A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil.” (Editorial de O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964)


[...] Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República (…) O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve.” (Correio Braziliense – Brasília – 16 de Abril de 1964)


[...] Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada". Editorial do jornalista Roberto Marinho, publicado no jornal" (O Globo", edição de 07 de outubro de 1984, sob o título: "Julgamento da Revolução".)


[...] Minas desta vez está conosco (…) dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições (Estado de São Paulo, SÃO PAULO REPETE 32, 1º/04/64).